Azores Airlines vai ser privatizada “desalavancada” de passivo

O Governo dos Açores confirmou que a dívida do grupo SATA vai ser assumida pela ‘holding’ e pela região e que a Azores Airlines e o ‘handling’ vão ser privatizados já “desalavancados” de dívida



“O passivo que foi construído ao longo destes muitos anos do grupo SATA ficará na SATA Holding. O que vamos vender no caso da Azores Airlines e no caso do ‘handling’ são empresas já desalavancadas desse passivo”, afirmou o secretário das Finanças, Planeamento e Administração Pública.

Duarte Freitas falava aos jornalistas à margem dos trabalhos parlamentares, na Horta, após o Governo Regional ter comunicado que aprovou o caderno de encargos para a privatização da Azores Airlines e o início do procedimento de venda da totalidade do capital social da SATA Handling (serviços de apoio em terra).

O secretário regional confirmou que o passivo do grupo SATA vai ficar na ‘holding’ (empresa-mãe criada para gerir outras empresas), conforme o processo de reestruturação negociado com a Comissão Europeia.

“Não é o Governo [Regional] que assume. São os açorianos que vão assumi-lo. Ao longo dos anos foi constituído este passivo. Aquilo que a Comissão Europeia nos disse foi: ‘agora têm uma oportunidade para terminar com a acumulação de passivo’, (…) mas aquilo que é o passivo que vem de trás, naturalmente, vai ter de ser assumido pela SATA Holding”, detalhou.

Questionado sobre o valor do passivo, Duarte Freitas adiantou que na próxima semana deverão ser aprovadas as “contas consolidadas” do grupo.

Se as outras empresas da SATA “no futuro geraram rendimento para pagar o passivo, ótimo, senão, terá de ser assumido pela região”, acrescentou.

Recorde-se que na quinta-feira, a agência Lusa revelou que a proposta de caderno de encargos de privatização da SATA Internacional/Azores Airlines propõe a venda de pelo menos 75% da companhia e impede a extinção de postos de trabalho e despedimentos coletivos durante 30 meses.

O secretário regional realçou a “celeridade” com que o Governo Regional aprovou o caderno de encargos proposto pelo Conselho de Administração (CA) da SATA e destacou as alterações face ao anterior procedimento que foi encerrado sem a privatização da companhia aérea.

“Foram afinados, não só o perímetro daquilo que vai ser alienado, como também o valor e a percentagem do que vai ser alienado. Como sabem, da última vez, era entre 51% a 85%. Desta vez, a proposta que o CA nos fez, fruto dessa aprendizagem e de contactos que já foram feitos com potenciais interessados, define que será a venda de mais de 75% da Azores Airlines”, reforçou.

Em relação às próximas fases do processo de privatização da Azores Airlines, Duarte Freitas adiantou que a SATA vai “continuar com contactos com potenciais interessados” até chegar uma “proposta firme”.

Paralelamente, salientou, vão “desenvolver-se os trabalhos para a concretização do caderno de encargos” da venda da SATA Handling cuja privatização vai ser de 100% do capital social.

O caderno de encargos proposto pelo conselho de administração da SATA ao Governo dos Açores, a que agência Lusa teve acesso, estabelece um modelo de “negociação particular” para a privatização da companhia aérea, que vai ter de ser concluída até final do ano, segundo o plano de reestruturação aprovado pela Comissão Europeia.

A venda de pelo menos 75% da empresa representa uma diferença face ao anterior concurso, que previa uma alienação mínima de 51% e máxima de 85%, um procedimento encerrado a 6 de março sem privatização, após o júri e a administração da SATA terem considerado que a proposta do Atlantic Connect Group, a única admitida, apresentava “riscos inaceitáveis”.

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Greve geral

O Governo Regional dos Açores esclareceu que “não fixou quaisquer serviços mínimos” no dia da greve geral, ao contrário do que foi referido pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS)