Aplicação da lei marcial no Paquistão desmentida


 

Lusa / AO online   Internacional   2 de Nov de 2007, 15:52

O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, não tenciona declarar medidas de carácter excepcional como a lei marcial ou o estado de emergência, apesar da incerteza política e da violência islamita, afirmou esta sexta-feira o advogado da presidência.
A afirmação surge depois de notícias dando conta que o governo paquistanês estava a estudar um plano de acção excepcional e que já teria sido iniciada uma série de consultas sobre possíveis medidas a implementar face à “situação crítica” do Paquistão, de acordo com fontes próximas do governo citadas pelo canal privado Geo TV.
“Quem disse que a lei marcial será imposta? A lei marcial não vai ser imposta”, afirmou o advogado do presidente paquistanês, Malik Muhammad Qayyum, perante o Supremo Tribunal que deve decidir até 12 de Novembro sobre a legalidade da reeleição de Musharraf no passado dia 06 de Outubro.
Questionado sobre a possível declaração do estado de emergência, Qayyum disse ter estado com o presidente e não haver qualquer sinal nesse sentido.
 Fontes próximas do governo citadas pelo canal Geo tv asseguram que o governo está igualmente a estudar o prolongamento por seis meses da manutenção de uma cláusula legislativa que permite a Musharraf manter de forma simultânea o cargo de presidente e de chefe das Forças Armadas.
Este possível prolongamento da cláusula é muito contestado pela oposição, uma vez que deveria terminar a 15 de Novembro.
Analistas indicam que a eventual aplicação de medidas de urgência estará relacionada com a possível invalidação da reeleição de Musharraf.
Na votação de 06 de Outubro, as assembleias nacionais e provinciais deram a vitória a Musharraf, contudo a oposição exige que a reeleição do presidente paquistanês seja feita pelos novos órgãos eleitos a 15 de Novembro.
A ex-primeira-ministra recentemente regressada do exílio, Benazir Bhutto, advertiu esta semana que se o governo impuser medidas de excepção vai deparar com protestos em massa nas ruas.
Além da tensão política, o Paquistão enfrenta um cenário de confrontos entre o exército e grupos islamitas, que já fez 600 mortos num ano.
Pelo menos seis pessoas morreram hoje numa explosão que destruiu um refúgio de islamitas ligados a talibãs na região do Waziristão norte, depois de combates na quinta-feira que mataram 70 islamitas no vale de Swat (noroeste do país).
O pior atentado suicida da história do Paquistão aconteceu no dia 18 de Outubro, no regresso de Bhutto ao país, quando 139 pessoas morreram.

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