Num comunicado, o Atlantic Connect Group (ACG) manifesta “surpresa e desilusão perante a posição” do Governo dos Açores, que na quarta-feira concluiu não estarem reunidas as condições para adjudicação da Azores Airlines àquele consórcio, o único admitido no concurso.
“A atitude do executivo regional sugere uma tentativa de preparar uma saída política airosa para um processo que correu mal, como se o governo pudesse agora limitar-se a assistir de fora ao desfecho de uma operação na qual teve responsabilidades formais desde o início - ou não tivesse negociado com Bruxelas a privatização”, lê-se na nota de imprensa.
De acordo com secretário regional das Finanças, também na quarta-feira, “a abordagem que se seguirá”, após o encerramento formal do processo que decorreu até agora, será a “negociação particular” tendo em vista a privatização da companhia aérea açoriana.
O ACG lamenta que o debate sobre a Azores Airlines (empresa do Grupo SATA que faz as ligações de e para fora do arquipélago) se tenha “centrado quase exclusivamente na forma” da privatização, como “se a culpa pelo fracasso deste processo fosse do modelo de concurso e não da situação a que a SATA chegou”.
“A possibilidade de uma venda direta passou a ser apresentada como solução, como se bastasse mudar o procedimento para que todos os desafios estruturais desaparecessem. Contudo, os problemas da companhia aérea continuam lá. Os trabalhadores sabem-no. Os investidores sabem-no”, acrescenta.
O consórcio reitera ainda não ter tido acesso ao relatório que “sustentou o chumbo da sua proposta” e salienta que só após conhecer o documento é que “talvez seja possível compreender melhor as razões que conduziram a este desfecho”.
“O Atlantic Connect Group participou no processo com seriedade, apresentou uma proposta estruturada e negociou compromissos com trabalhadores e sindicatos num contexto exigente. Não pode, por isso, assistir passivamente a este lavar de mãos, disfarçado de plano b”, avisa.
O agrupamento insiste em que a alteração do modelo de alienação “não vai resolver os problemas” da Azores Airlines.
“Uma coisa é evidente: mudar o procedimento não resolve os problemas da empresa. E fingir que resolve apenas adia o momento em que a realidade terá de ser enfrentada. Por todos”, conclui.
O presidente da SATA, Tiago Santos, afirmou na quarta-feira à agência Lusa que o modelo de venda direta para a Azores Airlines vai permitir um “processo ágil e otimizado”, defendendo a importância de “não se perder mais tempo” na privatização.
A 28 de janeiro, o júri da privatização da companhia anunciou que ia propor a rejeição da proposta do consórcio, por entender que não “salvaguarda os interesses” da SATA e da região.
Na sexta-feira, a administração da SATA revelou que ia propor ao Governo dos Açores que o processo de privatização da Azores Airlines fosse “encerrado sem adjudicação”, recomendação aceite pelo executivo regional.
O consórcio ACG apresentou a 24 de novembro de 2025 uma proposta de 17 milhões de euros por 85% do capital social da Azores Airlines.
Em junho de 2022, a Comissão Europeia aprovou uma ajuda estatal portuguesa para apoio à reestruturação da companhia de 453,25 milhões de euros em empréstimos e garantias estatais, prevendo medidas como o desinvestimento de uma participação de controlo (51%).
