Açoriano Oriental
Apesar de impopular, Trump mantém-se competitivo nas presidenciais de novembro

Apesar dos baixos índices de popularidade, as sondagens apontam Donald Trump como um candidato Republicano competitivo perante um ideologicamente diversificado leque Democrata, nas eleições presidenciais dos EUA, em 2020.

Apesar de impopular, Trump mantém-se competitivo nas presidenciais de novembro

Autor: Ricardo Jorge Pinto/Lusa

Trump tem baixos índices de popularidade - na apreciação do seu mandato - e está sujeito a um escrutinado inquérito para destituição, mas as sondagens indicam que ele ainda é muito competitivo contra os três principais candidatos Democratas [Joe Biden, Bernie Sanders e Elizabeth Warren], com os analistas a colocarem em aberto todos os cenários de resultado das eleições de outubro de 2020.

Na tradição política americana há uma expressão que diz “democrats fall in love, republicans fall in line” (que exprime a ideia de que os Democratas se “apaixonam” pelos candidatos e que os Republicanos se disciplinam no apoio aos candidatos).

Donald Trump conta com a disciplina do Partido Republicano (que parece estar todo ao seu lado) para ser reeleito, em 2020, caso sobreviva ao processo de destituição que os Democratas lhe impuseram, em outubro passado, e que ele considera ser uma “caça às bruxas” destinada a fragilizar a sua campanha para as presidenciais.

Trump tornou-se o quarto Presidente na história norte-americana a ser alvo de um inquérito de ‘impeachment’, mas o processo não deve deter a sua recandidatura, já que a maioria Republicana, bem disciplinada, deverá rejeitar os artigos de destituição redigidos pela maioria Democrata da Câmara de Representantes.

Do outro lado, os Democratas têm muitos candidatos por quem se “apaixonar”, numas eleições primárias que chegaram a ter mais de 20 nomes e que, a dois meses das primeiras eleições (em fevereiro, no Estado do Iowa), ainda tem 16 pretendentes ao lugar de desafiador de Trump pelo controlo da Casa Branca.

A maioria das sondagens nas primárias Democratas dá ligeira vantagem a Joe Biden, o ex-vice-presidente de Barack Obama e um dos nomes do setor mais moderado do partido, mas aparece perseguido de muito perto por nomes da ala mais radical, como Elizabeth Warren e Bernie Sanders.

Joe Biden consegue os melhores indicadores em vários estratos sociais (incluindo as minorias hispânica e negra), mas os adversários internos e externos questionam a sua condição de saúde (ele tem 77 anos e, por vezes, tem revelado dificuldade em terminar frases nos seus discursos) e a sua campanha tem vindo a perder dinâmica.

O tema que mais divide os Democratas deve ser também uma das questões mais discutidas na campanha, o acesso ao serviço de saúde (“Medicare for all”), que os candidatos Democratas mais à esquerda querem que seja gratuito e universal, após um período de transição de quatro anos.

O sistema, se for implantado como o desejam Elizabeth Warren ou Bernie Sanders, permitirá acesso a toda as pessoas que residam nos Estados Unidos e os especialistas dizem que deverá ter um custo aproximado de 30 biliões de dólares, nos primeiros 10 anos.

Os Democratas poderão ainda escolher entre candidatos que procuram situar-se entre os extremos ideológicos do partido, como Peter Buttigieg, o autarca do Estado de Indiana que se tem destacado pela tentativa de harmonizar as posições moderadas com as ideias radicais, marcando pontos com as suas propostas na área da educação e do combate às alterações climáticas.

Mas o Republicano Donald Trump vai querer arrastar o debate eleitoral para o território que lhe valeu a vitória em 2016, voltando ao tema do combate à imigração ilegal.

Nos comícios que tem promovido com regularidade, nos últimos meses, Trump recuperou o ‘slogan’ de 2016, “Fazer a América Grande Outra Vez” (“Make America Great Again”), transformando-o em “Manter a América Grande” (“Keep America Great”), repetindo à exaustão a ideia de que a economia do país nunca esteve tão boa.

O Presidente diz que o muro na fronteira com o México está já a ser construído, depois de ter desviado vários milhões de dólares de investimento militar para esse desígnio, e promete que o combate à imigração ilegal continuará a ser prioridade.

Mas para as eleições de 2020, há temas que são ainda uma incógnita, mas que constituem variáveis que podem fazer toda a diferença no resultado da escolha do inquilino da Casa Branca.

Um desses temas é a guerra comercial com a China, que Trump tem ajudado a prolongar há quase dois anos, com avanços e recuos em taxas retaliatórias de importações, aplicadas por ambos os países e que estão a provocar danos na economia mundial.

Para amortecer o impacto na economia interna, o Presidente tem recorrido a subsídios de compensação (sobretudo na área agrícola), mas os adversários Democratas não pegam no tema do conflito comercial por falta de argumentos, perante baixos índices de desemprego e elevados índices bolsistas.

O clima económico é um trunfo importante para Donald Trump, se for lembrada a frase que os estrategos do ex-Presidente Democrata Bill Clinton imortalizaram, quando se referiam ao tema mais importante em qualquer campanha presidencial: “It’s the economy, stupid!” (“É a economia, estúpido!”).


 
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