Ambientalistas acusam Governo de ignorar vontade dos cidadãos sobre reutilização de embalagens

Três organizações ambientalistas acusaram este domingo o Governo de fazer uma consulta pública "relâmpago" sobre o novo regime de reutilização de embalagens, de ignorar a vontade da sociedade civil e de ceder aos interesses da indústria do descartável.



Os novos regimes da gestão de resíduos, da deposição de resíduos em aterro e da gestão de fluxos específicos de resíduos, publicados na quinta-feira em suplemento do Diário da República, depois da consulta pública entre 6 e 20 de novembro, deixam nas mãos das grandes marcas de bebidas e dos grandes retalhistas o poder para decidir o que Portugal deve fazer na área da reutilização de embalagens, acusam as associações Zero, Associação Natureza Portugal (associada da World Wide Fund For Nature – ANP/WWF) e Sciaena (promoção de um ambiente marinho sustentável).

"Nos próximos anos, teremos aqueles que sempre lutaram contra a reutilização a ditar as regras nesta área", avançam, acusando ainda o Governo de se desresponsabilizar quanto às metas nesta área, "delegando nos setores económicos que sempre rejeitaram a reutilização o direito a definirem a política sobre este tema".

As associações dizem que a contestação a esta opção contou com a "participação massiva de inúmeras" associações e representantes da sociedade civil, o isso é "certamente visível" no relatório da consulta pública.

"O facto é que nada de relevante mudou no documento, sendo agora oficial que o Governo deixou conscientemente a 'raposa a guardar o galinheiro'. Isto quando estudos recentes demonstram que mais de 70% dos cidadãos estão disponíveis e desejam poder optar por embalagens reutilizáveis", acrescentam naquele comunicado.

A ZERO, a Sciaena e a ANP|WWF consideram que o novo regime geral da gestão dos resíduos é um sinal da falta de empenho do Governo na implementação da Economia Circular em Portugal.

"A Economia Circular é uma área para trabalhar desde que os interesses do descartável não sejam perturbados e possam manter os seus modelos de negócio como até aqui, ainda que às custas de um enorme impacto ambiental, pelo qual todos nós, cidadãos, já estamos a pagar uma enorme fatura", acusam ainda.

As associações defendem que não haverá neutralidade carbónica sem uma alteração estrutural na forma como se produz e consume, e que não é por se aumentar a reciclagem que se previne o desperdício que consideram ser a produção de resíduos.

"Portugal está ainda muito longe de atingir as suas metas de reciclagem! Dar força de lei a áreas prioritárias para a Economia Circular, como é o caso da redução e da reutilização, é já um imperativo, não uma opção. Não nos podemos dar ao luxo de esperar mais para começarmos a trabalhar nesta alteração fundamental", concluem.

No preâmbulo do decreto-lei publicado na quinta-feira, o Governo diz ser necessário atualizar o atual regime, quer por força do desenvolvimento económico do setor dos resíduos, na natural evolução das suas características e particularidades, quer por força da transposição de atos jurídicos da União Europeia.

Esta atualização, acrescenta o executivo, visa dar "especial ênfase às abordagens circulares que dão prioridade aos produtos reutilizáveis e aos sistemas de reutilização sustentáveis e não tóxicos", em vez dos produtos de utilização única, tendo em vista a redução dos resíduos gerados.

O diploma estabelece metas para a redução da eliminação de resíduos por deposição em aterro, com enfoque na proibição, a partir de 2030, do envio para aterro de quaisquer resíduos suscetíveis de reciclagem ou valorização, fixa metas específicas para a redução da quantidade de resíduos urbanos depositados em aterro e impõe obrigações de desvio de aterro de resíduos urbanos biodegradáveis.



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Greve geral

O Governo Regional dos Açores esclareceu que “não fixou quaisquer serviços mínimos” no dia da greve geral, ao contrário do que foi referido pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS)