Alunos de Medicina de Coimbra boicotam exames

Alunos de Medicina de Coimbra boicotam exames

 

Lusa / AO online   Nacional   20 de Nov de 2007, 17:01

Os alunos do 6º do curso de Medicina da Universidade de Coimbra concretizaram o anunciado boicote às primeiras avaliações parcelares, reforçando a contestação ao novo modelo de avaliação do último ano da licenciatura.

A partir das 14:00 (hora local), a maioria dos 240 finalistas da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) concentraram-se no átrio do auditório dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) e, ao longo da tarde, recusaram entrar nas salas onde deveriam realizar-se as provas escritas.

O plano de avaliações parcelares previsto para esta tarde incluía cinco turnos, até às 17:00, mas, às 15:30 (hora local), nenhum aluno dos três primeiros grupos participou nas provas.

"Alguém pretende entrar sala?", perguntava, respeitando cada um dos horários, o professor Teixeira Veríssimo, coordenador do 6º ano médico.

Pelo menos até à terceira tentativa, a resposta em coro dos estudantes, muitos dos quais sentados nas escadas interiores de acesso ao auditório principal dos HUC, foi sempre negativa.

 "Não!", respondiam em uníssono, seguindo-se manifestações de alegria e contestação, com risos e uma longa salva de palmas.

Teixeira Veríssimo, cumprindo o seu dever no momento de fazer a chamada, retirava-se sem mais comentários.

Instado pela agência Lusa, o docente escusou-se a fazer declarações, alegando não estar mandatado para o efeito pelo conselho directivo da Faculdade de Medicina, presidido pelo catedrático Castro e Sousa.

 "Caminhamos a passos largos para os 100 por cento de adesão ao boicote", afirmou Fernando Correia, porta-voz dos alunos do 6º ano.

Fernando Correia reiterou que "estas avaliações são desnecessárias e não deviam existir".

"Estamos firmemente convictos de que os órgãos de gestão da faculdade possam reconhecer que os alunos têm razão. Esta é a luta de ano inteiro", disse, ao sublinhar o peso de uma adesão que previa atingir os 100 por cento ao final da tarde.

"Estas avaliações são excessivas e redundantes, na medida em que representam mais uma avaliação, por sobre todas as outras formas de avaliação às quais já somos sujeitos no decurso do 6º ano", segundo uma nota divulgada pelos estudantes.

Por alegadamente não lhes ter sido manifestada pelos órgãos de gestão da Faculdade de Medicina qualquer "vontade de diálogo", os alunos decidiram comparecer hoje no local das avaliações, mas sem entrar para as salas, mantendo-se no átrio do auditório dos HUC.

Na quarta-feira, alunos do último ano da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra manifestaram-se contra o modelo de avaliação do 6º ano do curso, que consideram "redundante, excessivo e desnecessário", segundo Fernando Correia.

Este finalista de Medicina reafirmou que a referida avaliação, além de versar matérias pelas quais os actuais 240 alunos do 6º ano "foram avaliados durante os cinco primeiros anos do curso", tende a "prejudicar a preparação" para o exame de acesso ao Internato Médico.

O novo modelo de avaliação tem por base o anterior exame final do 6º ano, mas agora fraccionado em cinco avaliações parcelares, a realizar no final de cada uma das cinco valências que compõem o 6º ano, mantendo o factor de ponderação de 30 por cento na nota final desse ano.

Dois dias após o protesto da semana passada, os órgãos da Faculdade de Medicina emitiram um comunicado em que criticam unanimemente a contestação dos alunos ao modelo de avaliação do 6º ano, lamentando que assuntos de ordem pedagógica "sejam tratados em praça pública".

Contactada pela Lusa, a secretária do conselho directivo da FMUC disse que o presidente, Castro e Sousa, estava ausente e deixou instruções para, como resposta às solicitações dos jornalistas, reenviar o comunicado emitido na última semana, o que significa que não pretende abolir as avaliações parcelares rejeitadas pelos finalistas.

Esta terça-feira, durante o protesto dos estudantes, a captação de imagens por jornalistas no átrio do auditório dos HUC foi proibida por decisão do Conselho de Administração desta unidade de saúde, presidido por Fernando Regateiro, segundo foi divulgado por um funcionário da segurança do estabelecimento.

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