“Qualquer pessoa de bom senso defende a [estratégia] atlântica. O problema é que não sei o que é que o país vai decidir”, afirmou, sublinhando que Portugal tem agora acesso a 5,8 mil milhões de euros em empréstimos a condições favoráveis, no quadro da União Europeia, para investir em capacidades de defesa.
Miguel Albuquerque, também líder da estrutura regional do PSD, falava no âmbito de uma conferência, subordinada ao tema "Autonomia e Governo Regional", integrada no nono Curso de Defesa Nacional, que decorreu no Funchal.
“Importa saber como é que esse dinheiro vai ser aplicado no quadro da estratégia nacional de segurança e defesa”, alertou.
Pois, acrescentou, “se Portugal não seguir essa estratégia [atlântica], será sempre residual no quadro da defesa europeia, porque é um país periférico, está bloqueado pela Espanha e, portanto, a política continental não tem muito sentido”.
O chefe do executivo madeirense defendeu que o país tem de “aproveitar a sua geografia útil”, conferida pela dimensão atlântica, com a ilha do Porto Santo a cerca de 500 quilómetros do norte de África e os Açores na fronteira marítima com os EUA.
“Temos de aproveitar a geografia útil. O Atlântico volta a ser central num contexto de defesa. Nós temos um conjunto infraestruturas críticas que atravessam o Atlântico […] e mar territorial que nos confere uma predominância na defesa europeia, na defesa atlântica”, argumentou.
Miguel Albuquerque considerou ainda que a opção entre a estratégia atlântica e a continental será determinante para o país.
“Acho que, neste momento, essa é uma decisão importantíssima do ponto de vista do interesse nacional para os investimentos que vão ser realizados nos próximos anos”, sustentou.
Em 14 de janeiro, a Comissão Europeia aprovou o plano para Portugal aceder a 5,8 mil milhões de euros em empréstimos a condições favoráveis para investir em capacidades de defesa, sendo um dos oito países com aval preliminar (bem como Roménia, Bélgica, Bulgária, Chipre, Dinamarca, Espanha e Croácia) no âmbito do Instrumento de Ação para a Segurança da Europa (SAFE).
O SAFE, que foi proposto em março do ano passado pela Comissão Europeia, vai conceder até 150 mil milhões de euros em empréstimos a longo prazo e a preços favoráveis aos Estados-membros da União Europeia para investimentos em capacidades de defesa.
Os empréstimos, que têm de ser executados até 2030, vão financiar esforços de aquisição urgentes e em grande escala.
A Portugal foram destinados 5,8 mil milhões de euros, aos quais o país concorreu em novembro com um plano para reequipar as forças armadas.
Albuquerque defende “estratégia atlântica” para investimentos no setor da defesa
O presidente do Governo da Madeira (PSD/CDS-PP), Miguel Albuquerque, insistiu que Portugal deve adotar uma “estratégia atlântica” em termos de investimentos no setor da defesa, considerando que o país será “residual” se optar por uma política continental
Autor: Lusa/AO Online
