2016 foi o ano em que o PS conquistou a quinta maioria absoluta consecutiva nos Açores

O ano político nos Açores ficou marcado por uma nova vitória do PS nas eleições legislativas regionais, com o partido a igualar o número de maiorias absolutas conquistadas pelo PSD, num sufrágio onde a abstenção também ganhou.


Sob a liderança de Vasco Cordeiro, de 43 anos - o delfim que Carlos César, ex-presidente do Governo dos Açores, conduziu à liderança do executivo regional em 2012 -, o PS somou no dia 16 de outubro a quinta maioria absoluta consecutiva, conquistando 46,43% dos votos, mas menos um deputado do que nas eleições de 2012, quando obteve 31 mandatos.

O PS foi o único partido a conseguir representação nas nove ilhas do arquipélago. O PSD, o maior partido da oposição, só não elegeu deputados no Corvo.

Na noite eleitoral, Vasco Cordeiro destacou a "grande vitória", considerando que os resultados "atestam a confiança maioritária das açorianas e dos açorianos na forma como o PS tem governado a região, exercido o poder, como um garante de governabilidade, de estabilidade".

Os sociais-democratas alcançaram 30,90% dos votos, mas também elegeram menos um deputado, tendo agora 19 mandatos no parlamento regional.

"Em democracia, quem elege mais deputados vence. O PS foi o partido mais votado no ato eleitoral e é o partido vencedor destas eleições", afirmou o líder do PSD/Açores, Duarte Freitas, numa declaração após serem conhecidos os resultados, na qual prometeu "continuar a lutar na Assembleia, no partido e na sociedade civil" com "propostas que melhorem a qualidade de vida dos açorianos".

Apesar da derrota neste ato eleitoral e noutros que o antecederam, Duarte Freitas assumiu a recandidatura à presidência do PSD/Açores nas diretas do próximo dia 19 e, se for reeleito, já confirmou que vai ser, de novo, candidato à presidência do Governo Regional no sufrágio de 2020.

O CDS-PP e Bloco de Esquerda conseguiram aumentar o número de mandatos, para quatro e dois, respetivamente, mantendo PCP e PPM o mesmo número da legislatura anterior.

Artur Lima, líder dos centristas na região, lamentou não ter conseguido evitar a maioria absoluta do PS.

Os comunistas não conseguiram ver eleito o seu líder regional, Aníbal Pires, tendo sido o círculo da Flores, o segundo mais pequeno do arquipélago depois do Corvo, a assegurar o parlamentar do PCP na Assembleia Legislativa.

Nas eleições legislativas regionais de 16 de outubro houve um outro vencedor, a abstenção, apesar dos sistemáticos apelos das forças políticas à participação eleitoral.

Dos 228.162 inscritos nos cadernos eleitorais, 59,15% não votaram. Desde as eleições regionais de 2008 que a abstenção em eleições regionais nos Açores ultrapassa os 50%, ou seja, mais de metade dos eleitores não vota.

O concelho da Lagoa, na ilha de São Miguel, foi o campeão da abstenção, com cerca de 66%.

Na noite das eleições, alguns responsáveis partidários lamentaram a diminuta participação eleitoral, como a coordenadora do BE/Açores, Zuraida Soares, para quem a "galopante" abstenção "envergonha" a democracia e a autonomia.

O líder regional dos socialistas, Vasco Cordeiro, salientou, por seu turno, que esta matéria "diz respeito a toda a sociedade, àqueles que têm uma participação política mais ativa e àqueles que não têm essa participação", mas também aos órgãos de comunicação social na forma como valorizam e tratam não apenas os atos eleitorais", mas a atividade política.

Para Vasco Cordeiro, "é mais do que tempo" para que todos cheguem à conclusão de que é "necessário refletir muito a sério sobre aquilo que se passa", mesmo tirando as questões relativas à abstenção técnica ou à inflação dos cadernos eleitorais.

Uma semana depois, o responsável do PCP nos Açores, Aníbal Pires, referiu que "a fraca participação eleitoral" reflete a "deceção dos eleitores com o sistemático incumprimento de compromissos, as campanhas e promessas demagógicas".

Mais recentemente, o PPM defendeu a criação de uma comissão eventual para a revisão da lei eleitoral, considerando existir "uma vasta conjugação de fatores que aconselham" a criar este mecanismo parlamentar, como a elevada abstenção, a "desadequação dos cadernos eleitorais" e a "previsível alteração" do equilíbrio do peso eleitoral entre os diversos círculos de ilha.

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Informação transmitida pela GNR impede tripulação de veleiros de desembarcar no porto das Lajes das Flores, mesmo sendo proveniente do espaço Schengen. Economia local pode sofrer impacto, visto que anualmente chegam, em média, cerca de 300 veleiros à ilha. Tema já foi levantado pela Iniciativa Liberal/Açores, que pediu esclarecimentos ao Governo Regional