Crise financeira

UA apela ao G20 para escutar a voz do continente


 

Lusa/AOonline   Economia   12 de Nov de 2008, 11:29

O presidente da Comissão Africana, Jean Ping, apelou a uma maior integração económica e política do continente, durante a cimeira de Tunis, que o próprio apelidou de “conselho de guerra” contra a crise financeira.
“É um conselho de guerra” nesta “crise financeira sistémica sem precedentes”, disse Ping, sobre a cimeira de Tunis, onde ministros das Finanças e governadores de bancos centrais de cerca de 30 países africanos preparam uma posição conjunta para a reunião do G20 de 15 de Novembro em Washington.

    Jean Ping apelou ao G20 para “tomar em conta a contribuição da União Africana” sobre o actual momento económico e financeiro que começa a afectar o continente.

    Idêntico apelo foi proferido pelo primeiro-ministro da Tunísia, Mohammed Ghannouchi, que desejou que o continente “seja ouvido no seio das grandes decisões do Mundo” e que disse aguardar “com ansiedade” a cimeira dos países mais desenvolvidos.

    ”É uma crise profunda, ainda pior que a de 1929”, defendeu Ghannouchi, que assacou responsabilidade à “falta de transparência e de supervisão em alguns dos países” afectados.

    “Esperamos que a reunião do G20 esteja à altura dos acontecimentos”, desejou o chefe do governo tunisino, falando na sessão inaugural da conferência ministerial sobre a crise financeira.

    Antes, já o presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAfD) tinha advertido para a chegada ao continente mais pobre da crise, que começou por se manifestar nos mais sofisticados sistemas financeiros e bancários do Mundo mas que agora ameaça a economia africana.

    “Não existe solução que não seja global, coordenada e inclusiva”, disse Donald Kaberuka, apontando a cimeira de Washington como “o princípio de um processo de consultas”.

    “Os milhões de pobres em todo o Mundo aguardam que seja assegurado que os interesse de todos sejam levados em conta”, acrescentou.

    O BAfD baixou as expectativas de crescimento para uma média de 5%, contra os 6,5% registados antes da crise pela média dos países africanos e advertiu para os perigos que espreitam o continente: menor ajuda externa ao desenvolvimento, quedas nas exportações de matérias-primas e nas remessas de emigrantes.

    Falando hoje à Lusa, em Tunis, os ministros das Finanças e da AgrIcultura de MoçAmbique, Manuel Chang e Soares Nhaca, respectivamente, consideraram real o cenário traçado pelo BAfD, mas disseram que os seus efeitos ainda não afectaram o país do Índico.

    “Há o perigo de ser reduzida a ajuda externa”, que contribui com cerca de 50% do Orçamento de Estado de Moçambique, disse Chang, enquanto Nhaca assegurou que o país aumentou a sua exportação de matérias-­primas, mas não descurou a possibilidade de uma futura menor procura de açúcar, algodão, tabaco ou de caju.

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