Taiwan pede a Sócrates e Barroso que resistam à pressão de Pequim


 

Lusa/Ao online   Nacional   27 de Nov de 2007, 06:53

Taipé apelou hoje aos líderes europeus para resistirem à pressão de Pequim, que pretende que seja condenado, na declaração da Cimeira UE/China, o referendo para reforçar o pedido de adesão de Taiwan às Nações Unidas.
"É nosso sincero desejo que a União Europeia não ceda às exigências da China nem aceite uma declaração na 10.ª Cimeira UE/China que prejudique os interesses de 23 milhões de pessoas em Taiwan", refere o gabinete do ministro dos Negócios Estrangeiros de Taiwan, James Huang, em carta enviada hoje à Agência Lusa.

    A China insiste em incluir na declaração conjunta da Cimeira de quarta-feira uma forte condenação da vontade de independência da ilha e ao referendo anunciado para Março, o tema que fontes da delegação europeia admitiram à Lusa ser o de "mais difícil negociação".

    "Taiwan é um país democrático e a adesão à ONU é um desejo partilhado pelo povo", salienta o gabinete de James Huang, acrescentado que a UE conhece a preocupação de Taipé a propósito da pressão de Pequim contra o referendo.

    O primeiro-ministro português, José Sócrates, que lidera a delegação europeia enquanto presidente em exercício da UE e o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, serão confrontados por Pequim com a prioridade política chinesa de evitar um referendo em Taiwan meses antes do início dos Jogos Olímpicos de Agosto de 2008, a decorrer na capital chinesa.

    O gabinete de James Huang sublinha ainda que, através da realização de um referendo, "Taiwan demonstra activamente o espírito de democracia" e manifesta o desejo de que a União Europeia "continue a encorajar o princípio da governação democrática e entenda que o referendo é a expressão natural da democracia".

    "Taiwan tem repetidamente solicitado adesão às Nações Unidas com o apoio do seu povo. Através de referendos, que são instrumentos democráticos válidos e úteis, Taiwan pode assegurar e reafirmar o apoio e a posição popular em matérias cruciais que ajudam o governo a formular as suas políticas", conclui.

    Taiwan tem um Governo próprio desde 1949, mas Pequim considera a ilha como uma província separatista, a reintegrar a qualquer preço, se necessário pela força, no resto da China.

    Pequim considera o referendo um primeiro passo para a independência formal da ilha, algo que Taiwan hoje rebateu de forma expressa à Agência Lusa.

    "O referendo não põe em causa a alteração da designação nacional e por isso não constitui de forma alguma um referendo à independência", tal como a China o considera, sublinha o ministro dos Negócios Estrangeiros de Taiwan na carta enviada à Agência Lusa.

    Até 1971, sob o nome de República da China, Taiwan teve assento nas Nações Unidas, tendo sido expulsa nesse ano para dar lugar à República Popular da China.

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