Sindicato dos Jornalistas acusa Sonae de sacrificar trabalhadores para não diminuir lucros


 

Lusa/AO online   Economia   10 de Out de 2012, 17:59

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) acusou o grupo Sonae e a empresa detentora do Público, a Sonaecom, de sacrificarem quase 50 pessoas para não diminuírem os seus lucros e disse estar a acompanhar um processo "inaceitável".

A Sonaecom anunciou hoje, em comunicado, o "previsível" despedimento de 48 trabalhadores do jornal Público, como parte de uma "redução da estrutura de custos em cerca de 3,5 milhões de euros por ano, com a diminuição de custos de funcionamento".

O SJ lembrou que, apesar da quebra de vendas do jornal, “a verdade é que o Público é apenas uma das atividades da holding Sonaecom, do rico universo Sonae, a qual tem um desempenho francamente positivo”, concretizado nos lucros de 62,5 milhões da Sonaecom no ano passado.

“Estes dados comprovam que o que está em causa não é a sobrevivência de uma pequena empresa. O que se passa é que a Sonaecom e a Sonae não querem diminuir os seus lucros e não hesitam em sacrificar quase meia centena de trabalhadores, lançando mão de um despedimento coletivo no quadro de uma gravíssima crise económica e social”, escreveu o SJ, em comunicado.

Por estes motivos, o sindicato salientou estar a acompanhar o processo, “prestando todo o apoio aos seus associados na resistência a um processo inaceitável e iníquo”, acrescentando que “vai contribuir ativamente para a discussão dos fundamentos do despedimento coletivo”.

De acordo com um comunicado divulgado no portal da publicação, a administração da empresa anuncia ainda um "plano para fortalecer a aposta estratégica no digital, continuando a preservar os valores de qualidade e rigor da marca Público".

Num comunicado enviado a todos os trabalhadores do jornal, a que a agência Lusa teve acesso, a administração do Público indica que entregou à Comissão de Trabalhadores "comunicação escrita da intenção de proceder ao despedimento coletivo que se estima abranger 48 trabalhadores".

Segundo o comunicado publicado no 'site', "a imprensa escrita está desde há alguns anos a atravessar uma mudança estrutural profunda, à escala mundial, que se tem traduzido numa forte tendência de queda de receitas em resultado do efeito de substituição do papel pelo online".



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