Ainda sem solução as crianças que vivem num barracão

Família que vive num barracão, na Fajã de Baixo, admite que ainda não foi contactada por nenhuma entidade depois de terem sido divulgadas as condições do espaço. O caso tornou-se publico há 17 dias



O caso foi divulgado a 22 de fevereiro de 2026 pelo jornal Açoriano Oriental. Nesse dia, a vida de uma família com duas crianças, uma de quatro anos e outra de 12, saiu das quatro paredes de um barracão de cimento, na freguesia da Fajã de Baixo, que serve de casa há mais de uma década, para ganhar visibilidade junto da comunidade e das entidades oficiais.

Hoje completam-se 17 dias desde a publicação e, segundo a família, não houve qualquer resposta de nenhuma instituição relativamente à situação em que vivem as crianças. 

Nenhum contacto foi feito para oferecer uma solução, nem para dar feedback sobre o que está a ser feito.

Nem o Instituto da Segurança Social (ISSA), nem a Comissão para a Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ), nem a Direção Regional da Habitação procuraram esta família até ao momento. 

Vitória, mãe das crianças, conta que o teto começa a ceder. A solução passa por remendar o barracão, tarefa que Nelson, o pai, está agora a tratar: “A placa está a dar de si. Se cair em cima dos meus filhos, não sei o que vai ser de mim”, confessa Verónica, acrescentando: "Vivemos debaixo dessa placa, sabe-se lá o que pode acontecer".

Além do frio, da chuva que inunda o espaço, da humidade e da falta de condições para descansar, a estrutura do barracão começa a mostrar sinais de insegurança. O esquentador continua ligado a uma garrafa de gás dentro da casa de banho, sem ventilação. “Alice” (nome fictício), de quatro anos, mantém crises frequentes de bronquiolite, já confirmadas por atestado médico, que associa a situação clínica às condições em que vive, sobretudo à humidade e ao frio.

Estas crianças continuam à espera de respostas institucionais, soluções legais e processos administrativos que se mantêm fragmentados. A família é acompanhada, mas continua sem solução. A situação é conhecida pelas autoridades, mas permanece sem solução há 12 anos. Tornou-se pública, mas depois de 17 dias, continua sem qualquer contacto. A família questiona quanto mais tempo a vida destas duas crianças continuará em suspenso.

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