Sindicato denuncia alegados casos de violência e xenofobia em Espanha contra portugueses


 

Lusa / AO online   Internacional   12 de Out de 2007, 11:27

O Sindicato da Construção do Norte denunciou hoje alegados casos de xenofobia e violência contra portugueses em Espanha, mas o único trabalhador que apresentou como exemplo foi agredido por um patrão português, em Portugal, e vai voltar para Espanha.
    Manuel Martins, 31 anos, revelou aos jornalistas que estava a trabalhar para uma empresa portuguesa, em Espanha, há cerca de dois anos como condutor-manobrador quando o patrão o quis “obrigar a varrer a obra”.

    “Como recusei, puseram-me fora da obra e substituíram-me por outro trabalhador português”, disse Manuel Martins, acrescentando que, quando chegou a Portugal, o patrão recusou-se a pagar os vencimentos devidos e acabou por o agredir “com um murro”, o que originou uma queixa na polícia.

    Nas declarações que prestou aos jornalistas, na sede do sindicato, no Porto, Manuel Martins afirmou desconhecer perseguições a trabalhadores portugueses, rejeitou ter sido afastado por questões xenófobas e revelou que regressa brevemente a Espanha para trabalhar porque “lá ganha-se muito mais”.

    Minutos antes, o presidente do Sindicato da Construção do Norte, Albano Ribeiro, tinha denunciado o que considera ser um “aumento dos casos de xenofobia e violência contra trabalhadores portugueses em Espanha”.

    As denúncias do sindicalista foram depois reduzidas apenas aos trabalhadores qualificados e, muito especialmente, aos condutores-manobradores, operários especializados que operam máquinas, nomeadamente as gruas.

    Segundo Albano Ribeiro, as piores situações ocorrem “em Madrid, no País Basco e em Sevilha”, estando já a preparar para Novembro uma deslocação a Espanha para “fazer um levantamento” da situação, que será depois apresentado às autoridades competentes.

    O sindicato, segundo Albano Ribeiro, tem conhecimento de “30 a 40 casos”, mas apenas Manuel Martins aceitou dar a cara, optando os restantes pelo anonimato, não tendo sequer apresentado queixa às autoridades policiais.

    Na perspectiva do sindicalista, a situação “vai agravar-se” nos próximos meses, com a previsível redução do número de obras em Espanha.

    “As obras em Espanha vão diminuir e, se a situação até agora dava para todos, vai deixar de dar e os espanhóis vão querer ficar com os melhores empregos”, alertou.

    O sindicato estima que se encontrem actualmente em Espanha cerca de 90 mil trabalhadores portugueses na construção civil, situação que resulta dos baixos salários praticados em Portugal.

    “Como é que um operário qualificado de primeira, que ganha 518,50 euros por mês, pode manter a família?”, questionou Albano Ribeiro, salientando que os trabalhadores da construção civil “perderam mais poder de compra nos últimos 10 anos do que os funcionários públicos”.

    Para inverter este quadro, anunciou que o sindicato vai defender um aumento salarial de “seis por cento” em 2008, valor que considerou ser “perfeitamente suportável pelas empresas”.

    Nesta conferência de imprensa, Albano Ribeiro anunciou ainda que vai iniciar brevemente contactos com as câmaras municipais para promover uma iniciativa que permitirá “reduzir substancialmente os acidentes de trabalho”.

    “O envolvimento das câmaras é fundamental porque são elas que passam as licenças e sabem onde existem obras de pequena e média dimensão, que são responsáveis por 78 por cento dos acidentes mortais”, defendeu o sindicalista.
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