Açoriano Oriental
Covid-19
Sem-abrigo dos Açores estão sensibilizados e cumprem medidas

Em São Miguel, a ilha açoriana com mais sem-abrigo, as associações que prestam apoio a estas pessoas já adotaram as medidas de contingência aconselhadas face ao novo coronavírus e os utentes, dizem, estão a cumpri-las.

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Autor: Lusa/AO Online

Em declarações à agência Lusa, Hélder Fernandes, psicólogo e coordenador da equipa da rua da Associação Novo Dia, explicou à Lusa que "estão a ser tomadas medidas de contingência, de acordo com as orientações da Direção Regional da Saúde e Governo Regional dos Açores, plano que já se encontra em vigor desde 12 de março".

A associação, que gere três valências de acolhimento, está atualmente a dar resposta a 30 pessoas (a capacidade máxima) no Centro de Acolhimento Temporário de Emergência Misto, a sete pessoas (também a capacidade máxima) no Centro de Acolhimento Temporário Masculino e a 10 pessoas no Centro de Acolhimento Temporário Feminino.

Na instituição, foram implementadas medidas de "psicoeducação junto dos funcionários e utentes acerca do novo coronavírus", explicando-se a importância do "reforço da higiene pessoal e higienização dos espaços, a importância do distanciamento físico entre as pessoas, de evitar os cumprimentos típicos de socialização, evitar saídas dos centros, exceto em situações imprescindíveis, e os procedimentos a adotar num caso suspeito de doença Covid-19".

O psicólogo sublinhou que "os utentes estão em concordância com as medidas implementadas, cumprindo com as mesmas".

"Aliás, antes da ativação do plano de contingência, já estávamos a desenvolver ações de sensibilização face à Covid-19, antecipando um possível agravamento nacional e regional", completou.

A equipa de rua tem, neste momento, assinaladas 10 pessoas, que são "pontualmente acolhidas, mas que continuam a beneficiar da intervenção de rua", informou o coordenador.

Junto destas pessoas, "têm-se principalmente reunido esforços no sentido de providenciar acolhimento e condições humanas a todos os utentes sinalizados em situação de sem-abrigo. Em paralelo, como recomendado pelas autoridades de saúde, têm-se facultado ações de sensibilização e informação relativamente às medidas".

Além das valências da Associação Novo Dia, que aceita utentes com consumos, o edifício da Rua Pintor Domingos Rebelo alberga também a Residência Comunitária da Cáritas, uma "unidade de acolhimento temporário de médio prazo, no máximo de um ano, dirigida a isolados em situação de carência económica, já reabilitadas e com um plano de inserção".

O diretor técnico da Cáritas em São Miguel, Filipe Machado, explicou à Lusa que, à semelhança das valências que partilham o edifício, as medidas de contingência adotadas passam por redobrar os cuidados de limpeza e desinfeção, promover junto dos utentes hábitos de higiene pessoal como lavar e desinfetar frequentemente as mãos, proibir os cumprimentos sociais e restringir as saídas a dois períodos diários que não devem exceder a meia hora.

Numa valência que acolhe uma "população ligeiramente mais idosa", os cuidados passam também por medir a temperatura dos utentes duas vezes por dia, "para monitorizar alguma anomalia, porque muitos utentes não têm capacidade de verbalizar indisposição”.

Os 22 utentes foram "divididos por grupos de cinco, nomeando para cada grupo uma personalidade de referência", que fica encarregue de informar os outros, uma "medida importante e bem aceite pelos mesmos", que permite "de forma bastante simples e efetiva passar a mensagem", descreveu Filipe Machado.

"Daqui para a frente, sempre que for necessário atualizar alguma atualização, reunimo-nos apenas com esses utentes", concretizou.

Por enquanto, os serviços de atendimento ao público foram suspensos, assim como novas admissões.

Ao contrário do que acontece com a Associação Novo Dia, que tem a valência de ‘drop-in’ - em que os utentes chegam muitas vezes pelo próprio pé e que, por isso, tem uma população mais flutuante -, na Residência Comunitária da Cáritas, "as pessoas são sinalizadas por equipas do Instituto de Segurança Social dos Açores" e há um "encaminhamento programado das admissões", através de reuniões semanais com o instituto, que foram canceladas durante o período de contingência decretado pelo Governo Regional.

Os Açores são a região do país, segundo o Instituto Nacional de Estatística, onde o risco de pobreza ou exclusão social é mais elevado. "A expressão da pobreza mais severa", a de sem-abrigo, "está circunscrita ao centro de Ponta Delgada", com casos pontuais noutras localidades da ilha, ou noutras ilhas, mas que são prontamente resolvidos, adiantou à Lusa a Secretaria Regional da Solidariedade Social, em novembro.


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