Secretário-geral da ONU admite insucesso da missão do enviado especial


 

Lusa / AO online   Internacional   4 de Out de 2007, 18:53

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, admitiu hoje que a viagem do enviado especial Ibrahim Gambari à Birmânia não pode ser considerada "um sucesso", mas realçou que foi enviada "a mais forte mensagem possível".
    O encontro entre Gambari e Ban está marcado para hoje à tarde (hora local/mais cinco em Lisboa) e nele o enviado especial vai relatar a sua missão de quatro dias na Birmânia (Myanmar).

    Gambari encontra-se sexta-feira com o Conselho de Segurança da ONU, que colocará na agenda internacional a preocupação com os abusos dos direitos humanos na Birmânia, afirmou Ban.

    "Vamos discutir aprofundadamente com os membros do Conselho de Segurança qual a acção a tomar no futuro", acrescentou o secretário-geral da ONU, sem referir quais as medidas que pretende propor ao Conselho.

    Contudo, o formato da apresentação de Gambari ao Conselho de Segurança ainda não está decidido.

    Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e outros membros do Conselho preferem um relato aberto, onde os membros possam também participar, enquanto China e Rússia querem uma apresentação privada, referem fontes diplomáticas da ONU.

    A discussão do formato da audiência de Gambari está marcada para hoje à tarde.

    Entretanto, o governo chinês qualificou hoje a missão do enviado especial da ONU à Birmânia como uma "etapa útil", sublinhando que a situação no país "voltou à calma nos últimos dias", embora sem se referir às mortes e detenções em massa que têm ocorrido.

    Ibrahim Gambari foi enviado à Birmânia para tentar acabar com a repressão violenta de milhares de manifestantes pacíficos pela Junta Militar no poder.

    A repressão militar causou mais de dez mortes, incluindo um jornalista-fotógrafo japonês, e mais de mil detenções, segundo fontes oficiais, embora grupos dissidentes estimem que os números reais ultrapassem os 200 mortos e os seis mil detidos.

    Face a esta crise, a Alta-Comissária da ONU para os Direitos do Homem, Louise Arbour, manifestou já a sua preocupação com a situação "alarmante" no país e considerou que as autoridades birmanesas devem convidar "o mais rápido possível" o relator especial da ONU para os direitos humanos.

    "Estamos extremamente preocupados pela ausência de informações internacionais fiáveis e credíveis sobre o que se passa no terreno. Há cada vez menos imagens e elas são cada vez mais afastadas no tempo. O relator especial dos direitos do homem deve poder deslocar-se ao terreno o mais cedo possível", afirmou Arbour em declarações à estação televisiva canadiana CBC.

    Arbour reclamou também um "acesso sem restrições às prisões" para o relator especial, Paulo Sérgio Pinheiro, que não é convidado pelas autoridades birmanesas desde 2003.

    Também o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Bernard Kouchner, anunciou hoje a sua visita ao sudeste asiático para "daqui a alguns dias", devido à necessidade de diálogo com os países da região sobre a urgência de "uma abertura democrática na Birmânia".

    "As pressões mais eficazes devem exercer-se por parte dos países vizinhos (da Birmânia), nomeadamente a Tailândia", acrescentou Kouchner.

    O ministro dos Negócios Estrangeiros falou ainda do papel importante da Índia e China para solucionar a crise em território birmanês.

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