O secretário regional da Saúde, Luís Cabral, encontrou propostas “positivas” entre as medidas sugeridas pelos partidos da oposição e pela Ordem dos Enfermeiros para a reestruturação do Serviço Regional de Saúde (publicadas na edição de hoje do Açoriano Oriental), mas entre as propostas que vai considerar, não estarão a extinção da Saudaçor e o fim do estatuto empresarial dos três hospitais da Região, nem muito menos o saneamento total ou parcial da dívida da Saúde.
“Devemos ser nós açorianos a decidir de que forma é que queremos sustentar o nosso serviço regional de Saúde e gerir a nossa dívida”, sublinhou ontem, à margem de uma visita à Casa de Saúde de São Miguel.
Luís Cabral afirma que não quer que “venha alguém de fora dizer que cortes é que temos de fazer”. Admite, contudo, que terá de haver “uma reestruturação, uma diminuição do número de serviços, mas seremos nós a decidir como a fazer”, ressalva.
No que se refere à Saudaçor, Luís Cabral não tem dúvidas de que a Região não retiraria nenhum benefício da sua extinção. Defende, em alternativa, tal como sugerido por algumas forças partidárias que deve haver uma redefinição das funções da Saudaçor.
Já a proposta de pôr fim ao estatuto empresarial dos hospitais mereceu o seguinte comentário do secretário regional: “o que deve ser pensado de uma forma global é que organização do serviço regional de saúde queremos”. Luís Cabral considerou interessante “a proposta avançada da centralização da gestão dos hospitais”.
Secretaria equaciona rever salários das administrações
A maioria dos administradores dos três hospitais da Região ganha em média mais 450 euros do que um administrador num dos grandes hospitais do país.
Segundo o Diário Insular, o salário mensal das presidentes dos conselhos de administração dos hospitais de Ponta Delgada e de Angra do Heroísmo é de 6627 euros, e na Horta de 6351 euros - valor auferido também pelos vogais da administração dos Hospitais de Ponta Delgada e Angra, enquanto os da Horta ganham 6037 euros. “Estes preços estavam tabelados segundo os pagamentos em vigor no sistema público”, explicou o secretário regional da Saúde que considera que é altura de repensar “esses valores”, assim como a dimensão das administrações. Luís Cabral diz que “é pouco percetível a dimensão dos conselhos de administração, e que pessoas com esse nível de vencimento não sejam capazes de serem parceiros, de proporem medidas concretas”.
