Sociedade

Santa Casa dividida e sem provedor

Santa Casa dividida e sem provedor

 

Rui Leite Melo   Regional   18 de Nov de 2008, 10:40

A Assembleia-Geral da Santa Casa da Misericórdia de Ponta Delgada, ontem realizada, ficará na história da instituição, mas não pelos mais nobres motivos.
Sendo uma das mais participadas reuniões de sempre, a ocasião ficou marcada pela opção da destituição da actual mesa administrativa “para vergonha nossa”, como diria Jorge Nascimento Cabral, da Mesa da Assembleia, mas sobretudo por uma evidente divisão de opinião entre os “irmãos” da instituição.
Levada a votação a confiança ou não pelo trabalho desenvolvido pelo provedor Luís Silva enquanto responsável máximo da Instituição, os presentes optaram claramente pelo “não”, tendo a destituição merecido 88 votos a favor e somente 30 contra. Um resultado excessivamente expressivo, tendo em conta a forte opinião de alguns dos sócios presentes, que não só lamentavam a falta de consideração de outros pelo trabalho de muitos anos desenvolvido por Luís Silva à frente da Santa Casa, como pricipalmente pela eventuais razões que terão levado o número 2 da instituição, o vice-provedor José Francisco Silva, na evocação dos alegados erros da gestão da Santa Casa.
Entre críticas e aplausos a Luís Silva, que abandonou a reunião ainda no seu início, a Assembleia Geral de ontem da Santa Casa da Misericórdia de Ponta Delgada, por alguns dos presentes classificada como “um acto vexatório”,  ficou marcada por uma grande e profunda divisão de posições entre os presentes, não tanto quanto à destituição da mesa administrativa, mas sobre o futuro imediato da instituição. Em causa esteve se, até novas eleições, deveria ser constituída uma comissão de gestão transitória ou se a actual mesa da Assembleia Geral deveria assegurar tal responsabilidade. Sobre tal, o consenso foi algo que não aconteceu entre os irmãos,  que um após outro interviram na reunião magna, levantando questões quer de legalidade, de legitimidade, ou mesmo ao nível moral sobre a manutenção da mesa ou a criação de uma comissão de gestão. Sobre tal, a dicussão generalizou-se e diluiu-se ao ponto de alguns dos presentes terem posto em causa o funcionamento da própria assembleia geral, enquanto que outros dos intervenientes optaram por culpabilizar a comunicação social em relação à alegada sua má intepretação sobre o funcionamento da Santa Casa.
Acabou por ser aprovada a proposta do vice-provedor para a destituição do actual provedor e para a constituição imediata de uma comissão de gestão, que irá garantir o funcionamento da instituição até Junho de 2009, isto é, até às próximas eleições. Uma solução que veio vincar a divisão entre os irmãos, alguns deles bastante críticos e que deram a entender isso mesmo, a ponto de pretenderem por em causa a decisão tomada, nomeadamente em termos legais.
Tratou-se pois de uma reunião magna que começou com sala invulgarmente cheia, mas que rapidamente viu muitos dos irmãos abandonarem-na prematuramente, não o fazendo sem deixarem bem expresso o descontentamento sobre o seguimento dos trabalhos e pela confusão instalada dentro de uma instituição que ontem terá vivido um dos mais marcantes episódios da sua história centenária, mas que nem por isso deverá ser “o renascer da Misericórdia”, como alguns chegaram a vaticinar na reunião.


Recandidatura não está posta de parte
Luís Silva, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Ponta Delgada há cerca de duas décadas, era ontem um homem agastado. Mostrando uma disponibilidade rara para falar com os jornalistas, isto logo após abandonar as instalações da Santa Casa, onde há poucos minutos se havia iniciado a Assembleia Geral que acabaria por o destituir, logo começou por dizer: “não devo nada à Santa Casa, a Santa Casa é que se calhar me deve algo”. Justificando todas as muitas críticas feitas à sua gestão, nomeadamente ao nível financeiro, lembrou que inúmeras vezes, não só foi o rosto, mas a única pessoa presente para responder às situações com que se deparava a instituição. Dando a entender estar de consciência tranquila, não põe de parte uma recandidatura à direcção da Santa Casa. “´É uma situação para se pensar”, diz Luís Silva.

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