Rússia avisa para vazio sobre desarmamento nuclear com fim de tratado com EUA

O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, advertiu que o fim do tratado sobre desarmamento nuclear abriu um vazio, mas disse que a Rússia estava disposta ao diálogo com os Estados Unidos



“Na quinta-feira, expirou o Tratado de Redução de Armas Estratégicas e surgiu um vazio (...), em princípio, a Rússia está preparada para qualquer desenvolvimento dos acontecimentos”, disse Lavrov em conferência de imprensa em Moscovo.

Lavrov afirmou que “a Rússia prefere o diálogo” e que se verá “em que medida os Estados Unidos também estão dispostos a isso”, segundo a agência de notícias espanhola EFE.

Recordou ainda o comunicado divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros na quarta-feira, no qual Moscovo anunciou que se desvinculava das obrigações contempladas pelo tratado.

O porta-voz do Kremlin (presidência), Dmitri Peskov, afirmou hoje que a Rússia e os Estados Unidos estavam “conscientes da necessidade de um pronto início das negociações” sobre o desarmamento nuclear.

Peskov confirmou que ambas as partes realizaram consultas sobre a questão na quinta-feira, em Abu Dhabi, em que abordaram a possibilidade de prolongar os limites contemplados pelo tratado e confirmaram que “assumirão posições responsáveis”.

“Naturalmente, as cláusulas podem prolongar-se de maneira formal”, declarou, numa alusão à proposta do Presidente russo, Vladimir Putin, de prorrogar o acordo por um ano, no mínimo, à qual Washington nunca respondeu oficialmente.

O portal norte-americano Axios noticiou que Moscovo e Washington negociaram uma possível prolongação por seis meses dos limites previstos no tratado.

Contudo, o Presidente norte-americano, Donald Trump, assegurou na quinta-feira à noite que quer “um tratado novo, melhorado e modernizado” que substitua o Start III, também designado New Start.

“Em vez de prorrogar o tratado ‘New Start’ (um acordo mal negociado pelos Estados Unidos que, acima de tudo, está a ser violado flagrantemente), deveríamos encarregar os nossos peritos nucleares de trabalharem num tratado novo, melhorado e modernizado que possa perdurar no futuro”, escreveu Trump nas redes sociais.

Trump quer que a China, que disporá de cerca de 600 ogivas nucleares, participe nas próximas negociações de desarmamento, algo a que Pequim se opõe, posição apoiada por Moscovo.

O Tratado de Redução de Armas Estratégicas, conhecido pelo acrónimo inglês Start, foi assinado em abril de 2010, em Praga, pelos então presidentes russo, Dmitri Medvedev, e norte-americano, Barack Obama.

Foi renovado em fevereiro de 2021 por cinco anos.

O pacto restringia cada lado a um máximo de 1.550 ogivas nucleares e 800 mísseis e bombardeiros, destacados e prontos a utilizar.

Previa também inspeções para verificar o cumprimento dos respetivos termos, que foram interrompidas em 2020 devido à pandemia de covid-19 e nunca foram retomadas.

PUB