Agricultores açorianos preocupados com descida do preço do leite

A Associação Agrícola de São Miguel (AASM) e a Federação Agrícola dos Açores (FAA) manifestaram preocupação face às recentes reduções do preço do leite pago aos produtores e pedem uma análise profunda sobre o futuro do setor



A Federação Agrícola já tinha manifestado o seu descontentamento, na sequência do anúncio da descida do preço do leite pela UNICOL nas ilhas Terceira e Graciosa, onde os produtores passaram a receber menos três cêntimos por litro de leite entregue, desde 01 de fevereiro.

Num comunicado, a Associação Agrícola de São Miguel e a Federação Agrícola dos Açores manifestam também o seu descontentamento e preocupação face à recente decisão de redução do preço do leite pago aos produtores, anunciada pela indústria de transformação de laticínios BEL.

Referem que, segundo "a informação transmitida" pela BEL, "a partir de 01 de março, o preço do leite sofrerá uma descida de dois cêntimos por litro, sendo igualmente aplicada uma redução de 0,25 cêntimos por litro ao leite frio comercializado no âmbito do programa ‘Leite de Vacas Felizes’", um projeto que visa a sustentabilidade e o bem-estar animal.

As duas entidades alertam que “num contexto de custos de produção elevados e de falta de mão-de-obra no setor”, esta redução surge como “mais um fator de instabilidade para as explorações agrícolas” e “penaliza severamente” os produtores.

Para o presidente da AASM e da FAA, Jorge Rita, esta decisão da BEL coloca em causa o espírito do projeto ‘Vacas Felizes’, sublinhando que este "não é um projeto exclusivo da BEL", mas "de todos os produtores envolvidos".

“Com condições como estas, torna-se muito difícil convencer os jovens a apostar na produção de leite. Falamos constantemente da necessidade de renovar o setor, mas depois é criado um cenário que afasta quem queira começar”, afirmou o dirigente, citado na nota, acrescentando que a situação afasta “quem quer e precisa de investir no setor”.

O dirigente alerta também para o risco de escassez de leite e sublinha que a saída de produtores da atividade é uma consequência direta das opções tomadas pela indústria.

Jorge Rita considera igualmente que o Governo Regional dos Açores deve promover uma análise “profunda e realista” sobre o futuro do setor leiteiro, nomeadamente quanto à viabilidade de novos investimentos industriais, "numa altura em que tudo aponta para a redução do número de produtores e da própria produção de leite na região", é referido ainda.

A Associação e a Federação salientam ainda que os produtores dispõem de mecanismos de defesa, como a reconversão da produção de leite para carne e a redução voluntária da produção leiteira.


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