Desta vez, na sede do organismo, seis das 18 sociedades desportivas da I Liga opuseram-se a essa distribuição, fazendo cair a proposta, que precisava de uma maioria qualificada de, pelo menos, 75% dos clubes da I Liga para ser aprovada.
O sufrágio foi feito por voto secreto, sendo que, com esta decisão, os clubes do segundo escalão deixam de receber, esta época, cerca de seis milhões de euros que seriam ‘cedidos’ pelos clubes da I Liga que não participam nas competições europeias, os quais têm direito a um bolo global de 12 milhões de euros.
Na última reunião magna em que o tema tinha sido debatido e votado, a 16 de janeiro, dos 17 clubes da I Liga presentes ou representados, 12 votaram a favor, quatro contra e houve uma abstenção.
Desta vez, e com todas as sociedades desportivas presentes, seis dos clubes da I Liga optaram por não ratificar essa distribuição das verbas, numa decisão que o presidente da LPFP, Reinaldo Teixeira, lamentou.
“A maioria, claramente, queria manter este espírito de solidariedade, que vem já de há muitos anos (…) Não ficamos satisfeitos, longe disso. Acho que devemos ser solidários, mas há que respeitar e trabalhar em conjunto para ver o que podemos fazer”, disse o dirigente.
Reinaldo Teixeira explicou que a necessidade de votação da distribuição do mecanismo de solidariedade da UEFA pelos clubes da II Liga, com aprovação de 75% das sociedades desportivas da I Liga para ser efetiva, surge de uma norma da UEFA que levou a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) a solicitar à LPFP a realização de uma Assembleia Geral sobre o tema.
O dirigente lamentou a “mudança de um espírito de solidariedade que vinha de trás” e confessou não ter ficado satisfeito com o facto de o tema ter de ser votado a meio da época e não no início.
“As regras mudaram porque isto é um espírito que vem de trás, ou seja, quando havia pouco disso, vinha para a Liga, a Liga distribuía, decidia a direção e distribuía; depois foi para a Federação, decidia a direção e distribuía. Em 2024, com esta norma da UEFA, deliberaram e distribuíram. Agora, a meio da época, foi alterado esse princípio", disse
Reinaldo Teixeira mostrou-se desagradado com o facto da proposta ser analisada a meio da época: "Fomos notificados em dezembro [de 2025] pela Federação de que tínhamos de ter uma assembleia para deliberar este tema, mas tudo isto deveria ter sido tratado a montante, no início, antes da competição”.
Questionado sobre se a LPFP poderá apoiar, de alguma forma, os clubes da II Liga, que não vão ter acesso a estas verbas da UEFA, Reinaldo Teixeira prometeu estudar soluções, mas lembrou que a instituição “tem grandes desafios financeiros”.
“Temos um grande desafio financeiro e cabe-nos, enquanto eleitos, assumi-lo e fazer tudo para honrar os compromissos que foram assumidos quando chegámos. O grande foco é a redução de despesas e o aumento de receitas”, desabafou.
Confrontado com a possibilidade de esta cisão entre as posições dos clubes poder ter impactos futuros noutros dossiês, nomeadamente na centralização dos direitos audiovisuais, onde são necessários consensos, Reinaldo Teixeira preferiu não fazer comparações nem extrapolações.
“Este não foi um momento feliz, mas uma coisa é este momento, outra é o da centralização ou de outros passos que temos de dar. Naturalmente, se o bolo [da centralização] não for tão grande como esperamos, pode haver alguma dificuldade, mas pelos nossos diálogos, quer a nível nacional quer internacional, sentimos que o bolo vai ser diferente, para melhor, do que esperávamos”, concluiu.
