Resultado das autárquicas no Funchal foi uma "vitória de cidadãos"

Resultado das autárquicas no Funchal foi uma "vitória de cidadãos"

 

LUSA/AOnline   Nacional   13 de Out de 2013, 14:10

O desejo de mudança e a constituição de uma coligação de seis partidos foram, para o novo presidente da Câmara do Funchal, a receita que, em 29 de setembro, derrotou o PSD, força que detinha maioria absoluta naquela autarquia.

“Esta foi uma vitória que trespassou a cidade do Funchal. Foi importante para a região e até para o país e foi muito mais que ganhar uma câmara, porque o que ganhámos nestas eleições foi a cidadania”, disse o presidente eleito da Câmara do Funchal, Paulo Cafôfo, à agência Lusa.

Para o autarca, a coligação que uniu PS, PND, BE, PTP, MPT e PAN - que “puseram de lado os seus interesses, colocando a cidade em primeiro lugar, chamando a sociedade civil, pessoas sem qualquer filiação partidária” - foi “fundamental” para a “grande vitória dos cidadãos”. Pela primeira vez, as eleições autárquicas no Funchal não deram a vitória ao PSD.

Paulo Cafôfo salientou que este projeto pressupõe “uma grande alteração de mentalidades, postura e intervenção política e cívica na cidade do Funchal” e, para envolver os cidadãos na resolução dos problemas, devem ser colocados ao seu dispor mecanismos como “orçamentos participativos, assembleias de munícipes e júri de cidadãos, porque a democracia não se cinge ao dia das eleições”.

Assumindo-se como “homem de causas”, mas até agora sem “qualquer participação partidária”, este professor de História disse que o exercício de dois mandatos, “no máximo”, é o seu compromisso, com a garantia de que, apesar das responsabilidades que terá à frente da Câmara do Funchal, “nunca” deixará de ser o que é.

Face à maioria relativa que obteve nas eleições de 29 de setembro, Paulo Cafôfo admitiu já que “estão em aberto todas as hipóteses” para atribuição de “algum pelouro ou responsabilidades a vereadores da oposição”.

Quanto ao relacionamento institucional com o Governo Regional, manifestou o desejo de “colaboração e articulação”.

“Não podemos estar a atender às cores políticas. O que importa é que nós e o governo fomos eleitos por toda a população para resolver o problema das pessoas”, frisou.

O novo responsável pela autarquia do Funchal assegurou, ainda, que vai tratar as cinco juntas de freguesia do concelho que continuam a ter maioria social-democrata de “igual forma, não fazendo sentido estar com vinganças e retaliações”.

“Não há juntas de primeira e segunda, como espero que não haja para o Governo Regional câmaras de primeira e de segunda”, opinou.

Paulo Cafôfo disse à agência Lusa que vai pedir uma auditoria à Câmara do Funchal, “por uma questão de diagnóstico (…)”, não com o objetivo “de vingança e de descobrir o que está debaixo do alçapão”, considerando que é “um ato normal em democracia a prestação de contas e fiscalização”.

Quanto às primeiras medidas que pretende tomar, comprometeu-se a cumprir o que o consta do programa eleitoral, “atuando socialmente, não numa perspetiva de caridade e assistencialismo”, o que passa pela afetação de uma grande fatia do orçamento camarário a esta área.

O autarca quer implementar a comparticipação nos medicamentos dos idosos do concelho, uma redução gradual do IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis), a criação de um fundo de emergência social e ajuda aos mais necessitados, além do apoio a iniciativas de criação de emprego, entre as quais a um fundo de microcrédito para quem pretenda constituir o seu próprio negócio.

Paulo Cafôfo garantiu, também, que vai apostar no turismo e na definição de um plano de ordenamento e requalificação do comércio.


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