Açoriano Oriental
Reforço de polícias para os Açores deixa sindicato insatisfeito

Dos 20 novos agentes, 10 deverão ir para o aeroporto assegurar o controlo fronteiriço e sete para a futura esquadra do Corvo. Sindicato está apreensivo

Reforço de polícias para os Açores deixa sindicato insatisfeito

Autor: Paulo Faustino

Os Açores vão receber 20 novos agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) este ano, um número que o Sindicato Independente dos Agentes de Polícia (SIAP) considera ficar muito aquém do que a Região precisa e até bastante aquém daquilo que costumavam a ser os reforços - na casa dos 50 anualmente - desta força de segurança.

Se o reforço de meia centena de polícias por ano para a Região já era insuficiente para fazer face às necessidades, agora o é ainda mais, já que a PSP acrescentou uma valência às suas funções, que é substituir o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) - extinto oficialmente no final deste mês - no controlo das fronteiras aéreas.  

Do anunciado reforço de 20 agentes policiais, 10 deverão ter essa incumbência no aeroporto de Ponta Delgada. Prevê-se que os restantes possam ser destacados na futura esquadra do Corvo (7) e em esquadras de ilhas mais pequenas, sabendo-se também que há que acautelar o controlo fronteiriço nos aeroportos da Terceira e do Faial.

Bruno Domingues, do SIAP, está preocupado com a situação que se traduz numa enorme sobrecarga de trabalho para os elementos da PSP nos Açores, enfatizando que são apenas 20 polícias a mais quando “já estamos a trabalhar no mínimo” e com agentes de rua desviados para serviços administrativos.

“Só para Ponta Delgada esses vinte não dá”, afirma o sindicalista, que chama a atenção que “efetivamente na rua não existem polícias”.

A Região dispõe atualmente de mais de 700 agentes da PSP e as suas necessidades coadunem-se com um reforço entre 150 e 200. Estes elementos são responsáveis, entre outras tarefas, pela realização de patrulhamentos, policiamento de proximidade, gestão de armas e explosivos, segurança privada, segurança aeroportuária e cinotécnica. Um conjunto de valências aos quais se junta agora o controlo das fronteiras aéreas. 

“Temos aqui um número enorme de valências que precisa ser  ocupado e quando não há o reforço diretamente para esses núcleos, vão buscar a quem? Às esquadras. E as esquadras têm de fechar, estão a trabalhar abaixo do mínimo já”, sustenta.

Bruno Domingues faz notar que os Açores “são nove ilhas e cada ilha tem que ter alguém para assegurar a investigação criminal e tem que ter uma esquadra de trânsito. Tem que haver uma esquadra para cada área geográfica. O problema do arquipélago é esse: está disperso numa área geográfica muito grande e precisa de duplicação ou triplicação do esforço”.

A todos esses problemas acresce o da falta de atratividade da profissão, impondo-se a criação de condições, por parte da tutela, para cativar os jovens a ingressar na carreira policial. “É o que os sindicatos já falam há mais de 15 ou 20 anos. Há falta de atratividade para a função e a tutela não se preocupa com isso e nada faz para que isso seja alterado”, diz.

Os novos 20 agentes policiais terão que estar colocados em esquadras dos Açores até à próxima segunda-feira.

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