Ramos-Horta defende sede da ONU nos Emirados Árabes Unidos

O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, defendeu que a sede das Nações Unidas deveria ser nos Emirados Árabes Unidos, onde foi proclamada a Declaração sobre Fraternidade Humana para a Paz Mundial e a Convivência



O também prémio Nobel da Paz discursava quinta-feira durante a Cimeira Mundial de Governos 2026, que decorreu no Dubai, após ter participado em Abu Dhabi nas cerimónias da Fraternidade Humana.

O Documento sobre a Fraternidade Humana para a Paz Mundial e a Convivência Comum foi assinado em fevereiro de 2009 pelo Papa Francisco e pelo Grão Imã de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyeb e representa um marco para a promoção da paz e a convivência entre pessoas de diferentes religiões.

O evento “consolidou o papel único que os Emirados Árabes Unidos passaram a ter: um refúgio de paz, espaço de encontros entre inimigos, senhores da guerra e diferentes fações políticas e tribais”, afirmou o Presidente timorense.

José Ramos-Horta disse que talvez seja nos Emirados Árabes Unidos que uma nova ordem mundial, baseada no espírito da Declaração sobre a Fraternidade Humana, “emerja do caos moral da desordem global atual”.

“Ao imaginarmos esta nova ordem mundial, devemos começar a imaginar também uma nova sede das Nações Unidas mais próxima dos dois terços da humanidade que vivem no sul global, mais próxima geograficamente e com histórias partilhadas de colonização e de lutas pela liberdade e dignidade”, salientou o Presidente timorense.

Ramos-Horta considerou que a tolerância, a mediação e a solidariedade humanitária são três princípios “indispensáveis à paz e estabilidade internacional” e que a experiência dos Emirados Árabes Unidos merece destaque.

“Os Emirados Árabes Unidos têm apresentado consistentemente tolerância, não apenas como valor social, mas como quadro prático de convivência num mundo diverso”, disse o chefe de Estado.

Por outro lado, afirmou José Ramos-Horta, têm demonstrado que o respeito pela diversidade pode promover a coesão social e a estabilidade, além de se posicionarem como “mediadores credíveis e pragmáticos”, apesar de discretos, e da assistência humanitária que têm disponibilizado.

“Tolerância, mediação e ação humanitária estão profundamente interligadas. A tolerância reduz as raízes do conflito, a mediação limita a sua escalada, e a assistência humanitária aborda o custo humano”, salientou.

“À medida que os desafios globais tornam-se mais complexos, esses exemplos lembram-nos que diálogo, compaixão e engajamento internacional responsável continuam a ser ferramentas essenciais para construir um mundo mais pacífico e humano”, acrescentou.

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