Praias deviam ter bandeira distinta a indicar a presença de águas vivas

Praias deviam ter bandeira distinta a indicar a presença de águas vivas

 

Ana Carvalho Melo   Regional   16 de Jul de 2013, 15:04

Objetivo seria alertar todos aqueles que estão a banhos para a presença de águas vivas, em especial quem desconhece o perigo destes organismos.

Informação sobre a existência de águas vivas nas praias devia estar indicada de uma forma percetível para todos, em especial os turistas que muitas vezes desconhecem o perigo do contacto com estes organismos.

Na opinião de Ana Cristina Costa, da Universidade dos Açores, a Região deveria refletir sobre a utilização de sinalização que alertasse para a existência de águas vivas, como por exemplo a criação de uma bandeira nova, à semelhança do que já acontece noutros países como a Austrália.

“Poderia pensar-se numa nova bandeira que se hasteasse em conjunto com as outras, talvez com alguma indicação gráfica da presença de águas vivas”, sugere a investigadora.

O objetivo é impedir que turistas, que desconhecem o mar dos Açores e os potenciais perigos destes organismos, se firam com o contacto com as águas vivas

Outra sugestão é que as placas informativas existentes nas zonas balneares deveriam ter informação sobre os perigos das águas vivas e os primeiros socorros em caso de contacto.

Já Guilherme Sousa, coordenador dos nadadores-salvadores no concelho de Ponta Delgada, aconselha os banhistas a informarem-se junto dos nadadores-salvadores da presença ou não de águas vivas no mar, antes de ir tomar banho.

As águas vivas costumam aparecer nas zonas balneares quando a temperatura da água do mar começa a subir e o vento está de sul, no entanto este ano tem-se verificado que mesmo sem estarem reunidas estas condições estes organismos têm surgido na costa.

As razões do surgimento destes organismos na costa em determinadas alturas não estão totalmente esclarecidas para os cientistas que apesar de relacionarem a proliferação de águas vivas com variáveis como o aumento da temperatura da água, ventos, correntes costeiras locais, sobrepesca e poluição, ainda não conseguiram estabelecer uma relação causa-efeito.

“Alterações climáticas associadas a sobrepesca e a poluição podem contribuir para que os ciclos de maior proliferação se tornem mais curtos e por isso seja mais frequente em termos do número de anos em que há populações com grande número de efetivos”, explica a investigadora ressalvando que ainda não foi estabelecida uma relação causa-efeito muito objetiva e clara.

Na Região apesar de já ter havido tentativas de se estudar o ciclo de proliferação das águas vivas nunca houve a possibilidade de se fazer um estudo aprofundado. As razões apontadas são a falta de dados a longo prazo, o que a investigadora considera que se deve muito ao facto de as entidades financiarem essencialmente estudos com resultados mais imediatos, o que num caso destes nunca seria possível.

As águas vivas são perigosas para os banhistas porque estes organismos possuem uma neurotoxina nos tentáculos - que podem ter seis a sete vezes o tamanho do organismo e nem sempre se veem muito bem porque são muito longos e praticamente invisíveis - que em contacto com a pele causam uma dermatite.

Por vezes surgem também junto à costa caravelas portuguesas que são organismos considerados ainda mais perigosos dada a maior toxicidade da neurotoxina que produzem e o facto de os seus tentáculos serem significativamente maiores. Assim mesmo quando a parte aérea da caravela está afastada, os tentáculos alastram-se por vários metros.

Em caso de contacto com águas vivas deve-se lavar a zona abundantemente com água salgada e em seguida usar um anti-histamínico. Em zonas balneares vigiadas os nadadores–salvadores possuem kits de emergência para ajudar os banhistas nestas situações. As pessoas mais sensíveis devem deslocar-se ao hospital para tratamento médico.

Um outro conselho a ter em conta é que nunca se deve tocar diretamente na pele de uma pessoa que tenha acabado de tocar numa água viva ou caravela porque por vezes parte do tentáculo ou do veneno ainda está presente podendo haver transferência. Do mesmo modo que mesmo mortos estes organismos continuam a possuir a neurotoxina, daí que não se deva tocar neles.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.