Açoriano Oriental
Promoção do destino tem de dar resposta à dinâmica do setor

Câmara do Comércio de Ponta Delgada afirma que trabalho de promoção do destino Açores tem sido “prejudicado”, num momento em que se prepara a abertura de vários novos hotéis


Autor: Paula Gouveia

O presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD), Mário Fortuna, considera que a promoção do destino Açores não pode falhar, num momento em que se prepara a abertura de novos hotéis, e a conjuntura é de redução do rendimento disponível dos turistas dos mercados emissores da Região.

Mário Fortuna afirma que “o que se espera é que rapidamente fique concluído o processo da antiga ATA - atual Visit Azores - porque é preciso fazer, de novo, promoção  a sério e previsível”.

O representante dos empresários de São Miguel e Santa Maria alerta que o facto do mercado turístico ter sido favorável aos Açores no ano passado, não significa que vai ser este ano. “No próximo ano o que vai acontecer é que, com o agravamento do rendimento disponível das pessoas nos nossos mercados emissores, corremos o risco de ter um ano menos bom em termos de turismo”, diz.

Como tal, sublinha o presidente da CCIPD, “é preciso fazer muita promoção para termos a certeza de que não vamos ter aqui uma retração no turismo”. Até porque, afirma Mário Fortuna, em São Miguel prevê-se a abertura de vários novos hotéis, e de cadeias internacionais, como o Hilton na Lagoa, o Marriott na rotunda de Belém,  o Vila Galé  e o Accor, ambos no centro de Ponta Delgada. “São vários hotéis e alguns deles vão abrir em meados do ano”.

Ou seja, explica, “vamos ter muito mais oferta, vamos ter milhares de camas em São Miguel nos próximos dois anos, o que quer dizer que é preciso que haja uma promoção que esteja ao nível  desta dinâmica do setor, sob pena de gerarmos uma crise tremenda” no Turismo, alerta, salientando que  “há uma responsabilidade enorme  - e que é pública - que é a de assegurar que a promoção existe e com a qualidade que é necessária e devida”.

O turismo não pode “ficar ao sabor das circunstâncias”.  O destino tem de ser trabalhado “com afinco, com clareza e de forma transversal”, realça, sustentando que “este trabalho tem sido profundamente prejudicado, nos últimos tempos, com as hesitações relativamente ao instrumento que nós temos de execução da promoção que é a Visit Azores (antiga ATA)”.

Do seu ponto de vista, “tem havido demasiadas hesitações injustificadas, no nosso entender, relativamente à resolução definitiva do problema”.

Para Mário Fortuna, a associação que tem a promoção do destino Açores a seu cargo “teve de recuperar ao longo dos últimos quatro anos de problemas bastante profundos, e que já haviam quando o governo anterior decidiu sair da instituição. Mas o trabalho está feito e tem de ser apreciado e não depreciado, como em algumas circunstâncias tem sido feito”, defende.

O presidente da Câmara do Comércio sustenta que o Turismo “é um setor fundamental para os Açores”. “Podemos sonhar com economias de alta tecnologia, mais sofisticadas, mas para já é um sonho, e não pode ser concretizado de um ano para o outro. Por isso, no futuro imediato o que temos como a nossa maior oportunidade é o crescimento na área do turismo. E se queremos que os Açores sejam mais ricos, tenham mais empregos, mais oportunidades de trabalho, o turismo é o melhor setor para conseguir esse desiderato”, defende.


É preciso acautelar impacto de 30 ME devido a subida da energia

O presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, Mário Fortuna, estima que o impacto, para as empresas, do aumento das tarifas da energia vai ser de cerca de 30 milhões de euros este ano.

O representante dos empresários defende por isso que “é importante que se acautelem os sobrecustos enormes que as empresas vão ter no fornecimento de alguns bens e serviços, porque no final do mês já se vai sentir o impacto desta nova circunstância que é a da energia elétrica de baixa tensão especial que é utilizada por algumas atividades comerciais e industriais ser agravada em cerca de 40% e da energia de baixa tensão que vai abranger imensos estabelecimentos hoteleiros, comerciais e da indústria ser agravada em 60%”.  “O impacto há de rondar perto de 30 milhões de euros ao longo do ano, o que quer dizer que estamos perante um acréscimo substancial dos custos de produção que se não forem mitigados, vão ter de ser refletidos  na inflação do próximo ano”, alerta.  O presidente da CCIPD explica que “é isto que alimenta a inflação persistente: vamos de ano a ano tentando compensar os custos acrescidos, e esta compensação vai ela própria alimentando a inflação”.

“Preocupa-nos sobremaneira a questão energética, e preocupa-nos as condições operacionais que vamos ter para o futuro em termos de eficiência de funcionamento da nossa economia e em termos de custos de contexto com que vamos ter de lidar, e a nossa competitividade em geral”.

Sobre o anúncio do governo regional sobre o Programa Mais, o representante dos empresários diz que é uma medida positiva para as famílias, uma vez que ajudará “a caminhar para um salário médio mais alto”,  mas do ponto de vista empresarial “vai levar as empresas a gastarem mais com salários, porque uma vez aumentado um salário não o podemos baixar”. Ou seja, “o apoio é dado durante um ano, mas a estrutura de custos fica permanentemente na empresa”. Diz por isso que é um apoio “positivo” e “bem-vindo”, mas terá de ser “devidamente ponderado pelas empresas”. Mário Fortuna lembra que “os acordos de parceria feitos a nível nacional para a valorização  salarial preveem que deve haver pelo menos 2% de melhoria da produtividade do trabalho” e “não estamos a vislumbrar medidas para garantir que isto vai acontecer”.

Sobre as medidas em geral, anunciadas pelo executivo, Mário Fortuna diz que são medidas que “não vão resolver totalmente os problemas que estão criados, mas que vão mitigar, quer no apoio à contratação, quer no apoio às famílias no que diz respeito à sua capacidade para suportar os novos custos que surgiram com a inflação”. 


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