Açoriano Oriental
Covid-19
Profissionais de saúde e lavradores são dos poucos que entram e saem na Povoação

Profissionais de saúde, lavradores, pessoal da recolha do lixo e agentes de segurança são os únicos trabalhadores que podem entrar e sair do concelho da Povoação, desde domingo com um cerco sanitário para enfrentar a covid-19.


Autor: Lusa/AO Online

Numa entrada norte no concelho, que a agência Lusa visitou esta segunda-feira, um polícia e uma barreira - com um sinal rodoviário de proibição - não deixavam margem para dúvidas: não entra quase ninguém no concelho e quem o faz arrisca-se a não sair, pelo menos até dia 13 de abril, período até ao qual foi decretado o cerco sanitário.

César Cruz, lavrador, tem cerca de 60 animais no concelho. Não precisa de ir ao seu encontro hoje, mas na terça-feira espera-lhe a ordenha e o dar de comer às vacas, por isso hoje tentou já aproximar-se do seu terreno para perceber o que fazer para atravessar a barreira montada pelas autoridades.

"Ontem [domingo] quando saí ainda não estavam cá as barreiras. Tenho uma exploração nas Furnas, preciso de entrar e sair. Disseram-me que posso, mas que tenho de ter uma autorização. Estou abismado, chegar aqui de um dia para o outro e ter o caminho fechado...", conta, em jeito de lamento.

Os pais de César moram nas Furnas, uma das seis freguesias do concelho da ilha de São Miguel, e "já têm uma certa idade": ele 80, ela 79.

"São pessoas que dependem um pouco de mim, mas vamos ver", prossegue o açoriano.

Enquanto a Lusa se encontrava na entrada do concelho, foram poucas as viaturas que passaram: uma veio entregar material médico, nomeadamente máscaras, tendo do lado de lá da barricada um profissional que as recebeu; uma outra veio descarregar material para supermercados, nomeadamente frescos, alguns profissionais da televisão também passaram pelo local e, em nenhum momento, alguém tentou chegar à Povoação por motivos que não prementes.

"As pessoas já estão mentalizadas, isto já vem desde ontem [domingo] à tarde, hoje já está mais calmo", sublinhou à Lusa o agente da autoridade presente no local.

Um morador na Povoação, que tinha tido autorização para ir a Ponta Delgada fazer um "trabalho urgente" ligado a um organismo público, defendeu à Lusa a abertura de uma exceção no cerco sanitário para um profissional muito específico: o padeiro.

"O padeiro é uma pessoa que deixa o pão em sacos em casa das pessoas, não tem contacto direto. Julgo que era melhor avançar porta a porta do que irmos todos aos supermercados", acrescentou o residente local, descrevendo as ruas da Povoação como "desertas", pelo menos no período da manhã, quando de lá saiu para se dirigir a Ponta Delgada.

O concelho da Povoação, em São Miguel, onde no domingo foi decretado um cordão sanitário devido à transmissão local de coronavírus, é um município com seis freguesias e tem uma população de pouco mais de seis mil habitantes.

A Povoação é um dos seis municípios da ilha de São Miguel, a maior e mais populosa dos Açores.

O concelho, que faz fronteira com a Ribeira Grande e o Nordeste, a norte, e Vila Franca do Campo, a oeste, estará encerrado até às 00h00 de 13 de abril.

Deste modo, a população das freguesias de Água Retorta, Faial da Terra, Furnas, Nossa Senhora dos Remédios, Povoação e Ribeira Quente fica impedida de sair do município.

É na freguesia da Povoação, sede do município, que reside a maioria da população do concelho, cerca de 2.100 habitantes, seguindo-se as Furnas, com aproximadamente 1.400 habitantes, num dos pontos mais turísticos da ilha, e Nossa Senhora dos Remédios, com uma população de pouco mais de 1.100 pessoas.


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