“Sempre senti que esta missão foi cumprida mais como representante da autonomia política dos Açores, do povo açoriano e dos interesses e do valor geopolítico e geostratégico dos Açores na República, do que propriamente um representante da República que se impõe no povo dos Açores e na autonomia política”, afirmou.
O presidente do Governo Regional dos Açores falava, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, à margem de uma apresentação de cumprimentos de despedida de Pedro Catarino, que desempenhou o cargo de representante da República para a Região Autónoma dos Açores durante três mandatos.
Bolieiro descreveu Pedro Catarino como “uma personalidade de caráter, conhecimento e experiência bem firmes no seu vasto exercício profissional enquanto Embaixador, em representação de Portugal no estrangeiro e na profunda compreensão que tem da democracia portuguesa, do valor da política e do prestígio das instituições”.
“Foi uma personalidade sempre muito cordial, cortês, disponível para um relacionamento que tinha a forma protocolar e institucional corretíssima, e o afeto de um relacionamento pessoal sempre de muita proximidade”, frisou.
Pedro Catarino disse ter sido uma honra “muito especial” e um desafio exercer as funções de representante da República, “o ponto culminante de uma longa carreira dedicada ao serviço público”.
“A minha preocupação principal foi apoiar os Açores e os açorianos e os órgãos do governo próprio da região. Foi apoiar a autonomia consagrada como ela está na Constituição de 1976 e foi, ao mesmo tempo, servir os Açores e Portugal e conciliar a autonomia e o seu reforço, a sua consolidação, o seu progresso gradual que se tem revelado nestes 50 anos, com a unidade nacional”, apontou.
O representante da República, nomeado por Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa, disse deixar o cargo com a sensação de ter feito tudo o que foi possível para desempenhar cabalmente a função.
“Mantive sempre com os órgãos de poder regionais uma relação correta, amigável, construtiva. Nunca procurei interferir nas responsabilidades e nas competências dos órgãos próprios da região e devo agradecer ao sr. presidente do Governo Regional a forma como me manteve sempre informado, a forma como nos consultámos mutuamente sobre os problemas relativos à governação da região, do país, à situação internacional”, referiu.
Questionado sobre as memórias que guarda do arquipélago, Pedro Catarino disse que os Açores são “uma terra maravilhosa”.
“As nove ilhas, qualquer delas, têm uma beleza indizível que é difícil de explicar a sensação que se tem, o ar que se respira. Levo uma recordação fantástica que vai perdurar até o último dia da minha vida”, sublinhou.
Nascido em Lisboa em 1941, Pedro Catarino liderou a delegação portuguesa ao Grupo de Ligação Conjunto luso-chinês sobre o futuro de Macau, presidiu à Comissão Interministerial sobre Macau e chefiou a delegação que negociou o acordo luso-americano sobre a Base das Lajes e o Acordo de Cooperação e Defesa entre Portugal e os Estados Unidos, tendo presidido à Comissão Interministerial sobre as relações entre os dois países.
Desempenhou o cargo de representante permanente de Portugal junto das Nações Unidas, foi embaixador em Pequim e em Washington, administrador não-executivo da Agência Portuguesa para o Investimento, presidente do Alto Conselho para o Investimento Direto Estrangeiro e presidente da Comissão Permanente de Contrapartidas, tendo sido, ainda, enviado especial do Governo para a candidatura de Portugal ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.
