PJ nomeia sucessor de Gonçalo Amaral na próxima semana


 

Lusa/AO online   Nacional   3 de Out de 2007, 17:47

O director nacional da Polícia Judiciária (PJ) disse esta quarta-feira que, na próxima semana, será conhecido o sucessor de Gonçalo Amaral, afastado de coordenador do Departamento de Investigação Criminal da PJ de Portimão e do caso Madeleine McCann.
     Gonçalo Amaral cessou terça-feira a sua comissão de serviço naquelas funções após declarações ao Diário de Notícias em que acusava a polícia inglesa de favorecer o casal MacCann nas investigações sobre o desaparecimento da sua filha Madeleine no Algarve a 03 de Maio.

    Questionado sobre a escolha do sucessor de Gonçalo Amaral, Alípio Ribeiro referiu que vai "reflectir sobre a matéria", "analisar a situação com as pessoas" com quem trabalha e que "depois decidirá", devendo o nome ser conhecido na próxima semana.

    O director nacional da PJ rejeitou contudo a ideia de que a escolha do sucessor de Gonçalo Amaral seja um problema "prioritário" na PJ, apelando à necessidade de haver "grande calma", pois as escolhas tem de ser "adequadas" e não "precipitada".

    O director nacional da PJ falava aos jornalistas no final da cerimónia de abertura do Curso de Coordenadores de Investigação Criminal no Instituto Superior de Ciências Criminais e Polícia Judiciária, em Loures.

    Confrontado sobre a "demissão" de Gonçalo Amaral, Alípio Ribeiro considerou tratar-se de "uma palavra muito forte", preferindo dizer que aquele responsável "cessou a comissão de serviço" e que tal decisão "cabe nos poderes" do director nacional da PJ.

    Quanto às razões que ditaram o afastamento daquele coordenador, Alípio Ribeiro vincou que "há limites para aquilo que os elementos da PJ podem dizer publicamente".

    "Eu compreendo que as pessoas são sujeitas a grande tensão e a períodos de grande desgaste, mas não se controlam e dizem coisas que não devem dizer", argumentou Alípio Ribeiro, sublinhando que "quem trabalha na PJ tem de ter uma contenção verbal muitíssimo grande", sobretudo em "questões que são muito delicadas".

    O director nacional da PJ colocou este problema na esfera da "deontologia", acrescentando que esta "radica-se na ética".

    Alípio Ribeiro disse ainda esperar que "estas situações não se repitam" e explicou que se tratou de "uma situação ocasional", em que teve que "agir em conformidade" com os seus poderes como chefe máximo da PJ.

    Adiantou também que a PJ tem relações de "grande colaboração" com todas as polícias do Mundo, incluindo a inglesa, e que em "momento algum" se devem quebrar tais relações de "respeito" e de "lealdade".

    Também o ministro da Justiça assegurou hoje de manhã que aprova a decisão do director nacional da PJ em afastar Gonçalo Amaral das funções que exercia no DIC da PJ de Portimão.

    Num dia ainda muito marcado pelo impacto do afastamento do coordenador do DIC de Portimão, Alípio Ribeiro centrou a sua intervenção - na abertura do curso de coordenadores de investigação criminal - nas questões da deontologia e da ética.

    Diante dos 15 formandos do curso, Alípio Ribeiro pediu "dignidade funcional", "reserva", "ponderação" e discrição", defendendo que estes são os princípios e valores que devem pautar a actividade da Polícia Judiciária.

    Em seu entender, reserva e discrição impedem os responsáveis da PJ de divulgar factos e informações que "não devem ser do conhecimento público" e a "ponderação" evita que as funções e poderes exercidos sejam utilizados para "fins particulares" e alheios a essas mesmas tarefas.

    Nas palavras de Alípio Ribeiro, a PJ é uma polícia com "rostos" e não de fontes anónimas, pelo que não se devem confirmar factos com as fontes não identificadas, apontando ainda para "a volatilidade das informações anónimas e contraditórias".

    Em declarações aos jornalistas, Alípio Ribeiro afirmou esperar que num "breve prazo possam ser criados mecanismos" que permitam um relacionamento "fluído" com a comunicação social, muito embora "dentro dos princípios e regras a que a PJ está obrigada".

    Quanto à deontologia e orientação operacional desta polícia, o director nacional da PJ disse também que "mais importante do que fazer a gestão dos meios, é saber fazer a gestão dos fins".

    O ministro da Justiça, por seu turno, falou para realçar que este curso "se insere num contexto de investimento em recursos humanos e meios financeiros e materiais" que o seu Ministério "tem vindo a aplicar" na PJ.

    Alberto Costa lembrou que decorre paralelamente um concurso externo para recrutamento de 150 inspectores estagiários, que "virão reforçar e rejuvenescer a investigação criminal".

    "Estes reforços permitirão manter e desenvolver os padrões de qualidade e de eficácia da PJ. Há que os manter sempre um passo à frente da criminalidade", disse.

    Alberto Costa fez ainda uma síntese das reformas em curso na justiça, com incidência na investigação criminal e na segurança, e destacou a nova Lei Orgânica da PJ, já aprovada na generalidade pelo Parlamento.

    Neste âmbito, e tendo presente polémicas recentes, o ministro da Justiça enfatizou que "os princípios e a esfera própria da investigação são salvaguardados" nos diplomas e que "nem o secretário-geral, nem o conselho coordenador [de segurança] terão acesso a processo ou possibilidade de interferir em qualquer processo".

    "Em suma, mais coordenação, com respeito pelos princípios do Estado de Direito", assegurou Alberto Costa, ao falar para os futuros coordenadores de investigação criminal da PJ.
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