Pelo menos 20 mortos num duplo atentado suicida perto de Islamabad


 

Lusa / AO online   Internacional   24 de Nov de 2007, 10:54

Um duplo atentado suicida, visando as forças de segurança, matou hoje pelo menos 20 pessoas em Rawalpindi, nos arredores de Islamabad, aumentando o balanço de um ano recorde em termos de ataques terroristas.
    Pelo menos 19 pessoas morreram na explosão que visou um autocarro de transporte do pessoal dos serviços de segurança e pelo menos mais uma morreu num ataque contra um posto de controlo militar no quartel-general do exército, indicaram altos responsáveis dos serviços de segurança.

    Foram dois ataques com viaturas armadilhadas, confirmou o general Waheed Arshad, porta-voz do exército, que falou apenas de 15 mortos no atentado contra o autocarro e três feridos, um dos quais em estado crítico, no posto de controlo.

    Rawalpindi, um bairro popular, abriga a principal guarnição do país e sobretudo o Estado-maior do Exército, no seio do qual se encontra o domicílio do chefe de Estado, o general Pervez Musharraf.

    Segundo testemunhas, é perceptível um autocarro calcinado atrás dos portões dos edifícios de um dos vários serviços de informações, com dezenas de ambulâncias estacionadas em redor.

    Estes são o segundo e terceiro atentados desde a instauração do estado de urgência pelo presidente Musharraf há três semanas.

    O chefe de Estado paquistanês invocou para o efeito o aumento sem precedentes do número de ataques terroristas em todo o país e a progressão dos combatentes islamitas próximos dos talibãs e da Al-Qaida nas zonas tribais do noroeste, que fazem fronteira com o Afeganistão.

    O anterior atentado falhou, a 25 de Outubro, o seu alvo, um ministro próximo de Musharraf em Peshawar, no noroeste, mas matou quatro pessoas.

    Os atentados atribuídos aos islamitas fizeram este ano um número recorde de vítimas na história do Paquistão, com 667 mortos e mais de 2.000 feridos, segundo as autoridades.

    A maior parte visou o exército e a polícia.

    Entre os ataques, 46 são atentados suicida num total de 160 atentados terroristas em 2007.

    O ataque mais mortífero da história do Paquistão matou 139 pessoas e 18 de Outubro, quando dois suicidas fizeram explodir as suas bombas perante o camião blindado em cima do qual a antiga primeiro-ministro Benazir Bhutto abriu um gigantesco desfile em Karachi para celebrar o seu regresso de oito anos de exílio voluntário.

    Apesar dos protestos da oposição e da comunidade internacional, o general Musharraf, que assumiu o poder graças a um golpe de Estado há oito anos, anunciou que vai manter o estado de urgência durante as eleições legislativas prevostas para 08 de Janeiro, precisamente para garantir um “ambiente de segurança”.

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