OE2014

Passos nega objetivo ideológico nos cortes no Estado

Passos nega objetivo ideológico nos cortes no Estado

 

Lusa/AO online   Economia   31 de Out de 2013, 16:38

O primeiro-ministro negou hoje ter qualquer objetivo ideológico nos cortes propostos no Orçamento do Estado (OE) para 2014, sublinhando que o Governo apenas pretende reduzir a despesa do Estado para lhe dar sustentabilidade.

"Não existe aqui nenhum objetivo ideológico, pretendemos reduzir a despesa do Estado de modo a dar-lhe sustentabilidade", afirmou o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, na resposta à segunda ronda de intervenções no debate em plenário da proposta de OE para 2014.

Respondendo diretamente às críticas deixadas pela deputada do Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) Heloísa Apolónia, que acusou o primeiro-ministro de ter um "fim ideológico" com as propostas apresentadas, Passos Coelho recusou a tese, insistindo que o único propósito do executivo de maioria PSD/CDS-PP é reduzir a despesa do Estado "de acordo com parâmetros que sejam razoáveis".

Como exemplo desses "parâmetros razoáveis", o chefe do Governo lembrou que mais de 90 por cento dos pensionistas ficam a coberto de qualquer medida e, em 2012, quase metade dos funcionários públicos também ficou de fora.

"Não falamos em paraísos, sabemos as dificuldades que vivemos, temos consciência das dificuldades que vivemos, por essa razão é que tivemos muito cuidado com as medidas de natureza social", sustentou.

Passos Coelho dirigiu-se igualmente ao secretário-geral socialista, voltando a desafiar António José Seguro a "decidir o que quer fazer" e deixar de estar sempre a fazer "malabarismo político" ao assumir que é possível atingir os objetivos que o Governo propõe sem as políticas que estão as ser seguidas.

O primeiro-ministro recordou, a propósito, que o memorando de entendimento negociado pelo PS apontava já para cortes em setores como a saúde, as pensões e a educação.

"São medidas restritivas e difíceis, sabemos que foi o estado de necessidade que levou o PS a negociar estas medidas", disse, lamentando a falta de coerência dos socialistas.

Ainda em resposta à intervenção de António José Seguro, o primeiro-ministro corrigiu as afirmações em relação ao défice externo grego, frisando que ao contrário do que foi dito pelo secretário-geral socialistas, a Grécia não tem equilíbrio externo, apenas conseguiu reduzir o défice externo.

O deputado do PSD Adão e Silva elegeu igualmente o líder do PS como ‘alvo' da sua intervenção, criticando as suas "afirmações hiperbólicas" sobre o OE para 2014 ser o orçamento do empobrecimento.

"O OE para 2014 é o orçamento de resgate do empobrecimento", contrapôs.

Pelo CDS-PP, o deputado Telmo Correia retomou a ideia deixada pelo secretário-geral do PS de que os sinais de recuperação económica são "sol de pouca dura", considerando de forma irónica que é "notável" que essa afirmação surja da pessoa que andou a prever "as maiores catástrofes".

Da bancada do PCP voltaram também a surgir as acusações de que o Governo pretende continuar a política da ‘troika' para além de 2014, com o deputado Paulo Sá a desafiar o primeiro-ministro a admitir que o défice para o próximo ano é irrealista.

"É uma evidência que os objetivos orçamentais não serão atingidos", advogou o deputado comunista.

Mariana Aiveca, pelo BE, retomou as contradições entre as promessas eleitorais de Pedro Passos Coelho e as medidas que têm vindo a ser tomadas, nomeadamente em relação aos cortes nas pensões e nos salários, e questionou o primeiro-ministro sobre a duração dos ‘cortes'.

"A pergunta que se impõe hoje é se tem condições de dizer que cortes anunciados ano após ano como pontuais não se transformam em permanentes", questionou Mariana Aiveca, que acabou por ficar sem resposta do primeiro-ministro.


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