Países do sul da Europa consomem mais antibioticos


 

Lusa/Ao On line   Nacional   6 de Nov de 2009, 05:23

Os países do sul da Europa são os que consomem mais antibióticos indevidamente e, por isso, têm mais bactérias resistentes aos medicamentos, alertou o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC, em inglês).

Numa lista de 2006, Grécia e Chipre eram os líderes e Portugal seguia no sexto lugar.

A 18 de Novembro assinala-se o segundo dia europeu de sensibilização para o uso racional dos antibióticos, mas Dominique Monnet, do ECDC, deixou já o recado principal: gripes e constipações não precisam de ser curadas com antibióticos.

Para explicar o que se passa no Sul da Europa, o especialista lembrou “o uso demasiado frequente dos antibióticos para infecções virais”.

O especialista atribuiu o problema à pressão dos pais sobre os médicos para receitarem antibióticos aos filhos e à possibilidade de serem comprados na farmácia sem receita. “O que na maior parte dos países é ilegal”, lembra.

A resistência a antibióticos impossibilita usar “métodos da medicina moderna”, como transplantes de órgãos, quimioterapia e infecções nos cuidados intensivos dos hospitais, alertou.

Vinte e cinco mil mortes anuais na União Europeia, Islândia e Noruega é também o resultado da resistência a medicamentos das seis bactérias mais comuns e dos quatro tipos principais de infecção.

Partindo de dados de 2007, outra consequência é o aumento de 2,5 milhões de dias de internamento por ano, numa factura total de 900 milhões de euros. Em perdas de produtividade, as contas mostram custos de 600 milhões de euros.

A solução passa pelo “uso prudente” dos antibióticos. “Só quando necessário, na dose correcta, nos intervalos e no período de tempo certos”.

Também o controlo da infecção, o isolamento, a higiene nas mãos nos hospitais são outras das soluções, a par do desenvolvimento de novos antibióticos.

O ECDC sublinha que a atitude individual perante os antibióticos pode comprometer a sociedade.

Na Europa, há já casos de bactérias “quase ou totalmente resistentes a antibióticos”, alertou ainda Dominique Monnet.


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