Organizações não governamentais denunciam existência de novos presos políticos


 

Lusa / AO online   Internacional   30 de Out de 2007, 11:18

Várias organizações não governamentais de defesa dos direitos humanos russas alertaram esta terça-feira, quando se assinala o "Dia da Memória das Vítimas de Repressões Políticas", para o aparecimento de "novos presos políticos" na Rússia.
O "Dia da Memória das Vítimas das Repressões Políticas" recorda os milhões de pessoas encarceradas e extreminadas pelo regime comunista soviético (1917-1991).

"Voltam a aparecer listas de presos políticos no país", afirmou em declarações à Agência Lusa o dirigente da organização Pelos Direitos Humanos, Lev Ponomariov.

"Hoje recordamos não só as vítimas do passado, mas também os novos presos políticos e as pessoas que são perseguidas por motivos políticos", sublinhou.

Entre os presos políticos mais conhecidos, a organização Pelos Direitos Humanos cita Platon Lebedev e Mikhail Khodorkovski, antigos patrões da petrolífera russa Yukos, bem como Svetlana Bakhmina, advogada desta empresa.

Outro conhecido preso político é Mikhail Trepachkin, antigo agente do KGB/ FSB (Serviço Federal de Segurança) da Rússia, que começou a ter problemas com justiça quando denunciou casos de corrupção no seio do FSB.

Em 1999, começou a investigar a autoria da explosão ocorrida num edifício residencial em Moscovo, que provocou mais de uma centena de vítimas. Em Maio de 2005 foi condenado a quatro anos de prisão por "revelar segredos de Estado" e "porte ilegal de arma".

Os cientistas Igor Sutiaguin e Valentin Danilov estão a cumprir penas de prisão de 14 e 13 anos, respectivamente, por "divulgação de segredos de Estados", mas as ONG consideram-nos também "presos políticos".

"Ontem (segunda-feira), junto da Pedra de Solovetski (no centro de Moscovo), lemos durante todo o dia listas de fusilados. Hoje, graças a Deus, por enquanto não há listas de fusilados, mas vamos ler as listas dos novos presos políticos e exigir a sua libertação", declarou Ponomariov.

A cerimónia, na qual participaram cerca de 600 pessoas, contou com a presença de Nikita Belikh, Grigori Iavlinski e Garri Kasparov, dirigentes de vários partidos liberais de oposição ao Presidente da Rússia, Vladimir Putin.

A 30 de Outubro de 1974, presos políticos dos campos de concentração soviéticos começaram uma greve de fome em sinal de protesto contra as repressões políticas na antiga URSS e contra os maus tratamentos infligidos aos reclusos nas prisões.

A partir de então, os presos políticos assinalavam a data com uma greve de fome.

Em 1991, 30 de Outubro passou a ser oficialmente assinalado como o "Dia da Memória das Vítimas das Repressões Políticas".

Em vésperas de eleições legislativas, a 02 de Dezembro, Vladimir Putin prestou pela primeira vez homenagem às vítimas das repressões comunistas no "Polígono Vutovski" de Moscovo.

De acordo com dados oficiais, a polícia política soviética fuzilou nesse local 20.765 pessoas entre Agosto de 1937 e Outubro de 1938.

Em São Petersburgo, as vítimas das repressões políticas.começaram a ser recordadas com deposição de flores junto da Pedra de Solovetski, trazida da ilha honónima e onde as autoridades comunistas criaram o primeiro campo de concentração para "reabilitar" adversários políticos em 1922.

Depois, realizou-se um comício fúnebre no Cemitério de Levachovski, onde foram enterradas numerosas das suas vítimas em 1937-1938.
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