Numa carta aberta dirigida ao presidente do Governo dos Açores, a Federação das Pescas dos Açores (FPA), a Associação dos Comerciantes de Pescado dos Açores (ACPA) e a Pão do Mar manifestam a sua “profunda preocupação e estranheza” relativamente às declarações proferidas pelo presidente do Governo Regional, na passada sexta-feira, na abertura do Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia, promovido pela Federação Agrícola de São Miguel.
Na ocasião, José Manuel Bolieiro, admitiu preocupação “face às dificuldades associadas ao atual contexto internacional, que tem provocado instabilidade nos mercados e agravado os custos de produção” e garantiu que o executivo “está preparado para mitigar o impacto da subida do gasóleo agrícola”.
“O Governo [Regional] assume amortizar até 10 cêntimos a subida do preço do gasóleo durante os meses de maio e junho”, referiu o governante.
As organizações das pescas dos Açores consideram “incompreensível” que o setor, também “fortemente penalizado pelo aumento do preço dos combustíveis, não tenha sido contemplado com qualquer medida semelhante, nem tão pouco referido nesse anúncio público”.
“Importa recordar que nos encontramos num período do ano em que a atividade da pesca, em toda a fileira, aumenta consideravelmente, sendo também nesta fase que os custos com combustíveis e seus derivados assumem um impacto ainda mais significativo para o setor”, referem na Carta Aberta enviada à agência Lusa.
Adiantam que após as declarações de Bolieiro, procuraram obter esclarecimentos junto da tutela regional do setor e, até ao momento, não obtiveram qualquer resposta oficial, situação que lamentam “profundamente” e que “apenas reforça o sentimento de desprezo, desconsideração e desigualdade de tratamento sentido pelos profissionais do mar”.
A FPA, a ACPA e a Pão do Mar alegam que “não podem aceitar qualquer forma de discriminação entre setores produtivos da região”, considerando que o apoio ao setor agrícola é “legítimo e necessário”, mas exigem “o mesmo respeito, atenção e disponibilidade” para com as pescas.
Na missiva, referem ainda a “constante presença institucional do Governo Regional, na pessoa do senhor presidente, em iniciativas ligadas à agricultura, contrastando com a reduzida proximidade demonstrada relativamente ao setor das pescas”.
As entidades subscritoras da Carta Aberta esperam que o Governo Regional reavalie a situação com “sentido de justiça, equilíbrio e respeito institucional”, garantindo que um setor estratégico para os Açores “não continue a ser relegado para segundo plano”.
