O presidente da Ordem dos Médicos nos Açores, Carlos Ponte, reiterou que não conhece “melhor alternativa” ao Hospital Modular, mas ressalva que à entidade nunca foi pedida a emissão de um parecer sobre esta solução.
No arranque da Comissão Parlamentar de Inquérito ao incêndio no Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), a Ordem dos Médicos manifestou satisfação com a solução encontrada, mas frisa que nunca foi ouvida pelo conselho de administração da unidade hospitalar nem pelo Governo Regional sobre a opção pelo Modular.
“Como diretores de serviços tivemos reuniões regulares com o Conselho de Administração do HDES e aí foram dados contributos. Agora, nunca fomos oficializados para dar este parecer. São coisas distintas”, ressalvou na audição que decorreu durante toda a manhã de quarta-feira.
Na ocasião, Carlos Ponte considerou ainda que “esta foi uma solução que nos tem agradado e que vemos que foi uma resposta rápida. É preciso não esquecer que o incêndio foi a 4 de maio. Por isso, é de louvar toda a resposta célere e, repito, com segurança, e isso satisfaz-nos”, realçou o médico.
De acordo com o representante regional dos médicos, opções como um hospital de campanha não teriam “estrutura para fazer o que o Modular faz”, no entanto salienta que “o tempo dirá do contributo” desta solução implementada após o incêndio de 4 de maio.
A Ordem de Médicos também se fez representar por Maria Inês Leite que aproveitou a ocasião para apontar a necessidade de algumas melhorias ao Modular, tais como “alguns circuitos dentro do hospital, nomeadamente relacionados com o bloco operatório.
Apesar disso, destacou que a qualidade do ar nos blocos operatórios do Modular “melhorou bastante em termos de qualidade do ar, da humidade e da temperatura em comparação com o antigo HDES, onde essas situações, por vezes, não se verificavam”, frisou.
Refira-se que a primeira audição na comissão de inquérito ficou marcada por uma troca de acusações entre o PS e do PSD, sobre um alegado atraso na entrega de documentação solicitada pelo parlamento ao Governo Regional, que só foi entregue no final da tarde de terça-feira.
Para o socialista Carlos Silva, tratou-se de “uma atitude vergonhosa e inaceitável por parte de quem se diz comprometido com a transparência, revelando, pelo contrário, uma clara intenção de condicionar o trabalho dos deputados e impedir o escrutínio parlamentar de um processo que continua envolto em opacidade”.
Em resposta, o social-democrata Joaquim Machado frisou que o Governo cumpriu “a tempo e horas” com a entrega dos documentos à Comissão Parlamentar de Inquérito, já que o prazo só terminava ao final do dia de terça-feira.
