Oposição critica reação do Governo dos Açores ao aumento do preço dos combustíveis

A oposição nos Açores criticou o Governo Regional face ao aumento dos combustíveis, com o PS a alertar para uma reação a “más horas” e o BE a considerar “poucochinha” a redução do Imposto Sobre Produtos Petrolíferos (ISP)



“Os açorianos não precisam de inércia e alheamento. Precisam de respostas, soluções para hoje e para o futuro. E precisam de um Governo que governe para as pessoas”, afirmou o deputado do BE, António Lima.

O bloquista falava no plenário da Assembleia Regional, na Horta, durante uma interpelação do BE ao Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) sobre o aumento do preço dos combustíveis e o impacto na economia e custo de vida.

No debate, já após o secretário das Finanças ter anunciado uma redução do ISP (para reduzir em oito e 13 cêntimos a gasolina e gasóleo) e um “pacote de medidas” para combater o aumento dos combustíveis (com apoios à agricultura, pescas, empresas e famílias vulneráveis), António Lima acusou o Governo Regional de “brincar com as pessoas”.

“Ainda bem que trouxemos esta interpelação ao parlamento. Passaram 19 dias desde o início de maio. Foi preciso chegar a 19 de maio para o governo anunciar qualquer coisa perante o brutal e gigantesco aumento dos preços dos combustíveis”, disse António Lima.

O deputado do BE defendeu que o Governo Regional “devia fazer mais” e alertou que o ISP aumentou significativamente” nos últimos anos: “a redução que anuncia do ISP é poucochinha. Está longe do que é necessário fazer”.

Já o líder parlamentar do PS/Açores, Berto Messias, acusou o Governo Regional de reagir “tarde e a más horas” e de apenas anunciar medidas “depois de toda a pressão pública, de partidos e parceiros sociais”.

O socialista lamentou a falta de explicações sobre os apoios anunciados e denunciou a “incapacidade” do executivo açoriano que deveria ter “tomado medidas para antecipar” os impactos no aumento do preço dos combustíveis.

“O Governo Regional tem à sua disposição todos os instrumentos que precisa para tomar medidas imediatas para estancar o impacto do aumento dos preços dos combustíveis e podia tê-lo feito em março quando referimos o perigo desses impactos”, reforçou o deputado do PS.

José Pacheco, do Chega, condenou a “lata” de dizer que “os preços não subiram”, defendendo uma redução maior do ISP e medidas para baixar o preço da bilha de gás.

Por sua vez, o deputado do PSD Joaquim Machado elogiou a atuação do Governo Regional e criticou as anteriores governações do PS que “ultrapassaram os limites legais da cobrança do ISP”, evocando um relatório do Tribunal de Contas de 2022.

O social-democrata realçou, contudo, a importância de agir de “forma proativa e preventiva” perante uma situação internacional que pode originar “muita carência de combustível”.

O deputado da IL Pedro Ferreira adiantou que o partido vai apresentar medidas para assegurar “maior transparência na formulação dos preços dos combustíveis”, já que o atual sistema é “imprevisível e vulnerável”.

O líder parlamentar do CDS-PP, Pedro Pinto, saudou as “soluções equilibradas e de compromisso” do Governo Regional perante um “contexto de enorme instabilidade”, enquanto João Mendonça (PPM) considerou que o atual momento sinaliza a necessidade de ter as energias renováveis como “prioridade estratégica”.

O deputado do PAN Pedro Neves acusou o executivo açoriano de reagir com um “extintor portátil quando a casa está a arder”, com medidas “avulsas e atrasadas” feitas em “cima do joelho”.

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