“Já no quinto ano, a guerra na Ucrânia está a tornar-se mais mortífera a cada dia que passa”, disse Kayoko Gotoh, representante dos Departamentos de Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz e de Operações de Paz da ONU
Entre 13 e 14 de maio, a Rússia terá lançado mais de 1.500 drones e dezenas de mísseis contra cidades ucranianas. No último dia, um desses mísseis destruiu um edifício de nove andares em Kiev e matou 24 pessoas e pelo menos 48 ficaram feridas.
“Estes ataques em grande escala continuam diariamente”, relatou Kayoko Gotoh, referindo que pelo menos 238 civis foram mortos e 1.404 ficaram feridos na Ucrânia só em abril passado.
“Este é o maior número mensal de vítimas civis registado desde julho de 2025”, frisou, acrescentando: “Isto também reflete um padrão contínuo de crescente violência contra civis”.
A ONU também salientou, que dentro da Rússia, os ataques ucranianos levaram a um aumento de vítimas civis e a danos em infraestruturas civis, incluindo edifícios residenciais.
"Condenamos veementemente todos os ataques contra civis e infraestruturas civis, onde quer que ocorram", afirmou Kayoko Gotoh.
Na mesma reunião, a diretora da divisão de Resposta a Crises do Gabinete para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) assinalou que os trabalhadores humanitários na Ucrânia, “claramente identificados como pertencentes às Nações Unidas”, foram alvo de repetidos ataques na semana passada.
“Estes incidentes descarados não são isolados”, sublinhou Edem Wosornu, destacando que tais ataques podem constituir crimes de guerra.
Face aos ataques cada vez mais letais da Rússia na Ucrânia, os membros europeus do Conselho de Segurança insistiram na continuidade do apoio a Kiev.
O embaixador James Kariuki, do Reino Unido, repetiu os apelos do secretário-geral da ONU, António Guterres, para um cessar-fogo abrangente e uma paz justa e duradoura na Ucrânia.
“Mas a paz começa com a verdade: esta guerra pode terminar no momento em que a Rússia parar a invasão”, afirmou.
Disse ainda que Moscovo está a perder mais soldados do que a recrutar e levará décadas para alcançar os objetivos de guerra ao ritmo a que está a conquistar território.
Assim, o Presidente da Federação Russa está “desesperado para convencer de que a vitória russa é inevitável” e o apoio uma “causa perdida”, declarou.
No entanto, o diplomata britânico sublinhou: “O apoio da Europa veio para ficar”.
O embaixador francês, Jérôme Bonnafont, observou que a recente trégua da Páscoa foi quebrada por "bombardeamentos maciços" russos contra a Ucrânia, “apesar da mão estendida do Presidente ucraniano, que tinha proposto tornar permanente a cessação das hostilidades”.
O francês salientou que, depois de mais de quatro anos de guerra de alta intensidade, o Conselho “não pode resignar-se a aceitar cessar-fogos temporários utilizados pela Rússia de acordo com a sua conveniência, antes de retomar, como bem entender, a guerra de agressão contra a Ucrânia”.
Fazendo um apelo por um cessar-fogo abrangente e imeadiato, a diplomata norte-americana Tammy Bruce sublinhou que o crescente custo económico e humano desta guerra "é inaceitável".
A diplomata instou Moscovo a permitir o acesso dos trabalhadores humanitários às áreas sob controlo russo e a devolver todas as crianças ucranianas que foram deportadas ilegalmente para a Rússia, bem como as que foram transferidas à força dentro do território ocupado.
“Não são pedidos absurdos ou inéditos; são um reflexo da decência humana básica e um passo em direção à paz duradoura que todos procuramos”, apontou.
Por sua vez, o embaixador russo junto da ONU, Vasily Nebenzya, disse não ver qualquer sinal de que Kiev "esteja pronto para avançar substancialmente na questão da resolução do conflito”.
Nebenzya defendeu o Presidente ucraniano devia emitir uma ordem de cessar-fogo, retirar as Forças Armadas da Ucrânia das “regiões russas, incluindo o Donbass”, e proceder à discussão dos parâmetros concretos de uma “paz genuinamente abrangente, justa e sustentável”.
“E, até que isso se concretize, os objetivos da operação militar especial serão alcançados pelas Forças Armadas da Federação Russa”, insistiu.
Já o embaixador ucraniano, Andrii Melnykm, apelou a todos os Estados-membros para que reforcem as sanções contra Moscovo e impeçam o fornecimento de componentes para a máquina de guerra russa.
