Grande Depressão

Oitenta anos depois o mundo está novamente em crise

Oitenta anos depois o mundo está novamente em crise

 

Lusa/AO Online   Economia   22 de Out de 2009, 07:51

 Oitenta anos depois do início 'oficial' da Grande Depressão, os Estados Unidos voltam a ser a origem de mais uma profunda crise económica que se propagou à escala mundial.

A efeméride das oito décadas de uma das maiores crises económicas de sempre, comemora-se no sábado, pouco mais de um ano após o início declarado de uma das maiores crises económicas desde então.

A 15 de Setembro de 2008, o banco de investimento norte-americano Lehman Brothers apresentou falência. A partir desse dia, 'crise financeira' passou a ser um dos termos mais utilizados em todo o mundo.

As origens da crise remontam a 2001 com o rebentar da bolha especulativa da Internet, com o então presidente da Reserva Federal, Alan Greenspan, a desviar os investimentos para o sector imobiliário, reduzindo as taxas de juro e criando outros mecanismos de incentivo.

Os investimentos através das agências de financiamento imobiliário Fannie Mae e Freddie Mac, com garantias estatais, levaram vários bancos a financiarem em grande escala as imobiliárias através das duas agências, criando um novo tipo de empréstimos, os subprimes.

Os subprimes, empréstimos de alto risco a pessoas sem rendimentos suficientes, sem emprego ou sem património, eram dirigidos essencialmente ao financiamento de casas e cartões de crédito, e levaram os bancos a criarem instrumentos financeiros para vender livremente estes empréstimos como acções nos mercados.

O problema surgiu quando a Reserva Federal aumentou a taxa de juro de referência para conter a inflação. Este mecanismo provocou uma queda nos preços das casas, tornando impossível o refinanciamento dos subprimes e levando a que os títulos associados fossem impossíveis de negociar.

Esta crise levou à falência de várias instituições de crédito a partir de 2006. A falência dos bancos alastrou-se e começou a afectar as maiores instituições financeiras, culminando na queda do Lehman Brothers a 15 de Setembro e, dois dias depois, à falência técnica da maior seguradora norte-americana, a AIG - American Insurance Group.

Pouco tempo depois, a crise financeira chegou à economia real, afectando principalmente os países europeus mais ligados aos Estados Unidos, como é o caso da Irlanda e do Reino Unido, mergulhados na recessão neste e no próximo ano.

A economia dos EUA entrou em recessão em Dezembro de 2007, e a Europa seguiu-se, com a generalidade dos países a contas com fortes contracções do Produto Interno Bruto.

A resposta imediata passou pelos estímulos directos dos vários países às economias, incluindo passos de concertação, como no caso do plano anti-crise norte-americano e nas reuniões que os bancos centrais americanos, europeus e asiáticos mantiveram para delinear respostas comuns.

No caso português, o Governo deixou crescer o défice, articulou um plano de injecção de liquidez na economia que passou, entre outras medidas, por reservar quase mil milhões de euros para pagar aos fornecedores das entidades públicas, ajudar na recuperação das empresas em situação mais difícil e pela aprovação de um Orçamento suplementar com mais de 1,16 mil milhões de euros.

A nível internacional, as taxas de juro de referência foram reduzidas pelos bancos centrais mundiais para mínimos históricos e, um ano depois, a retoma económica começa a mostrar a luz ao fundo do túnel.


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