Número de casos de violência contra as mulheres aumenta 9% no país


 

Lusa/AO On line   Nacional   25 de Nov de 2009, 05:50

O número de crimes de violência doméstica registados pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) aumentou nove por cento face ao mesmo período de 2008, revelou hoje aquela organização não-governamental (ONG).

Os dados da APAV, divulgados quando se assinala o Dia Internacional para a Eliminação de Todas as Formas de Violência Contra as Mulheres, foram contabilizados tendo em conta o número de processos que chegaram aos 15 Gabinetes de Apoio à Vítima da ONG e à Linha de Apoio à Vítima.

Nos primeiros seis meses do ano, a APAV registou um total de 8496 crimes, enquanto no primeiro semestre de 2008 foram contabilizados 7788 crimes.

Segundo a APAV, os maus-tratos físicos e psíquicos, ameaças/coacção e crimes sexuais no âmbito de relações de intimidade são os crimes que reflectiram um "significativo aumento" face a 2008.

Na terça-feira, o Observatório de Mulheres Assassinadas, organismo da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), revelou que 26 mulheres foram assassinadas desde o início do ano e 43 foram vítimas de tentativa de homicídio.

Segundo a UMAR, o número de mulheres assassinadas por aqueles que ainda eram companheiros, maridos e namorados constituem 64 por cento dos casos, sendo que 36 por cento foram vítimas de homens de quem já estavam divorciadas ou separadas.

O Dia Internacional para a Eliminação de Todas as Formas de Violência Contra as Mulheres é assinalado hoje em Lisboa com o lançamento da campanha "Maltrato Zero", inciativa que decorre em simultâneo nos 22 países ibero-americanos.

O vice-presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG), Manuel Albano, disse à agência Lusa que a "grande mensagem" da campanha é alertar as pessoas para que denunciem situações de violência contra as mulheres, no sentido de ajudar a combater esta realidade.

A CIG - órgão governamental que funciona junto da Presidência do Conselho de Ministros - destaca que a campanha tem por "objectivo unir toda a sociedade ibero-americana, em especial a juventude, para se comprometer contra a desigualdade e contra a violência de género" através do movimento social "Maltrato Zero".

Spots de rádio, televisão, cartazes, informações e um site na Internet (www.maltratozero.com) são algumas das componentes da campanha "Maltrato Zero", que é lançada numa cerimónia que contará com a presença do secretário-geral da Comunidade Ibero-Americana, Enrique Iglesias, e com a secretária de Estado da Igualdade, Elza Pais.

O Movimento Democrático de Mulheres (MDM) também denunciou que cerca de 40 por cento das mulheres vítimas de violência doméstica não auferem qualquer tipo de rendimentos.

O MDM considera "urgente" a criação da educação sexual nas escolas, para que seja "introduzido o respeito mútuo e o reconhecimento do valor dos afectos e da autonomia dos indivíduos, bem como o respeito pelas mulheres na sociedade e o combate a todas as violências sobre as mulheres".

No Dia Internacional para a Eliminação de Todas as Formas de Violência Contra as Mulheres, o MDM reivindica "a necessidade de programas e acções eficazes com vista à eliminação de todos os tipos de violência".


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