Mundo deve manter pressão sobre o Irão

Mundo deve manter pressão sobre o Irão

 

Lusa / AO online   Internacional   4 de Dez de 2007, 15:02

A comunidade internacional deve continuar a pressionar o Irão aproveitando a suspensão do programa nuclear atestada num relatório dos serviços de informações, porque o risco nuclear continua a existir, afirmou o presidente norte-americano, George W. Bush
Os Estados Unidos divulgaram segunda-feira um relatório, realizado a partir de informações fornecidas pelas 13 agências dos serviços secretos, segundo o qual o Irão suspendeu em 2003 o seu programa nuclear devido, sobretudo, ao controlo internacional.
Estas conclusões, já saudadas quer pelo Irão quer pela agência da ONU que controla a proliferação nuclear (AIEA), são muito diferentes das apresentadas há cerca de dois anos pelos serviços secretos, altura em que acreditavam que o Irão estava determinado a desenvolver as capacidades necessárias para o fabrico da bomba atómica.
"Vejo este relatório como um sinal de aviso de que eles tiveram o programa, suspenderam-no (…) mas podem reactivá-lo", disse Bush, numa primeira reacção ao documento.
O presidente norte-americano disse ter tido conhecimento do relatório na semana passada e descreveu-o como concordante com a linha política seguida pelos EUA e, nesse sentido, uma reafirmação da necessidade de manter a pressão diplomática.
"Na minha opinião, o NIE (National Intellingence Estimate) é uma oportunidade para continuarmos a unir a comunidade internacional para pressionar o regime iraniano a suspender o programa", disse Bush.
O relatório "não muda nada", prosseguiu. "Continuo convencido de que o Irão constitui um perigo (…) E o NIE mostra claramente que o Irão deve ser considerado uma séria ameaça à paz", declarou.
Nesse sentido, o presidente norte-americano afirmou que a opção militar se mantém válida, na medida em que "a melhor diplomacia" é aquela em que "todas as opções estão em cima da mesa".
A divulgação do relatório norte-americano justificou uma conversa telefónica, hoje, entre os presidentes dos Estados Unidos e da Rússia, segundo Sergueï Prikhodko um conselheiro do presidente Vladimir Putin, e reacções das mais variadas capitais.
Israel, várias vezes ameaçado pelo presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, assegurou hoje que o Irão continua a desenvolver esforços para vir a fabricar armas nucleares, enquanto o Reino Unido e França defenderam a necessidade de manter a pressão diplomática.
Em declarações à imprensa em Moscovo antes de uma reunião com o principal negociador iraniano, Vladimir Putin afirmou que o programa nuclear iraniano deve ser transparente e continuar sob o controlo da AIEA (Agência Internacional de Energia Atómica).
"Congratulamo-nos com o alargamento da vossa cooperação com a AIEA. Esperamos que os vossos programas de âmbito nuclear seja abertos, transparentes e sejam conduzidos sob controlo da organização internacional competente", disse o presidente russo.
Em comunicado, o director-geral da AIEA, Mohamed ElBaradei, considerou que o relatório norte-americano poderá ajudar a resolver a crise com o Irão e levar Teerão a "cooperar activamente" com aquela agência "a fim de clarificar os aspectos específicos do seu programa nuclear passado e presente".
Por outro lado, acrescentou ElBaradei, o relatório "confirma as declarações da AIEA dos últimos anos sobre a ausência de prova do programa nuclear militar iraniano".

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