Chile

Mineiros de Atacama pensaram cometer atos de canibalismo durante isolamento


 

Lusa/AO Online   Internacional   12 de Out de 2011, 08:45

Um dos mineiros de Atacama (Chile), que permaneceram soterrados mais de dois meses a 700 metros de profundidade, revelou que durante os primeiros 17 dias, em que estiveram totalmente incomunicáveis, os 33 homens pensaram cometer atos de canibalismo.

A revelação é feita por Samuel Ávalos, o 22.º mineiro a ser resgatado da mina, por ocasião do primeiro aniversário da operação de resgate dos 33 homens, realizada a 13 de outubro de 2010.

“Era uma questão de sorte de quem seria o primeiro, estávamos nisso, quem ia primeiro (…) os outros iam chegar lá, como animais”, relatou Ávalos, num documentário transmitido esta semana pela Televisão Nacional (TVN) do Chile.

O programa, intitulado “17 dias enterrados vivos”, é uma coprodução entre a TVN e a estação pública britânica BBC e recorda as cerca de duas semanas que os mineiros estiveram totalmente incomunicáveis.

Durante esse período, ninguém sabia se os trabalhadores da mina São José, situada a mais de 800 quilómetros a norte da capital Santiago do Chile, estavam vivos ou mortos após o desmoronamento de 05 de agosto.

Os mineiros foram obrigados na altura a racionar a pouca comida que estava armazenada no refúgio, comendo em cada 48 horas duas colheres de atum em conserva, meio copo de leite e meia bolacha.

A ideia de os 33 mineiros terem equacionado cometer atos de canibalismo circulou em fevereiro passado, quando o correspondente no Chile do diário britânico The Guardian, Jonathan Franklin, autor do livro “33 homens”, defendeu esta hipótese.

“Com ou sem comida, tinha que sair dali. Tinha que pensar qual era o mineiro que ia morrer primeiro e pensar como ia comê-lo. Não tinha vergonha, não tinha medo”, relatou então Franklin, citando o testemunho do mineiro Mario Sepúlveda, um dos mais populares do grupo.

Em 1972, jogadores da seleção de râguebi do Uruguai sobreviveram a um acidente de avião na cordilheira dos Andes (Chile) recorrendo ao canibalismo.

As histórias destes homens cruzaram-se quando um dos sobreviventes da queda do avião, José Luís Inciarte, foi um dos consultores que trabalhou na operação de resgate dos 33 mineiros.

Às 00:10 locais (04:10 hora de Lisboa), o primeiro dos 33 mineiros, Florencio Avalos, foi resgatado e transportado para a superfície numa cápsula metálica introduzida num dos três furos de evacuação que foram perfurados durante várias semanas.

O último mineiro, Luís Urzúa, o chefe de turno na mina, foi resgatado às 21:55 locais (cerca das 01:55 hora de Lisboa).

O caso dos mineiros do Chile comoveu a opinião pública internacional e a operação de resgate foi acompanhada via televisão por mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo.

Segundo publicou na altura a comunicação social chilena, a audiência mundial das operações de resgate só poderá ser comparada com os 600 milhões de pessoas que em 1969 estiveram em frente ao televisor a ver a chegada do homem à Lua.


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