Milhares de franceses prejudicados por greve


 

Lusa/AO   Internacional   18 de Out de 2007, 09:10

A greve dos transportes públicos em França está hoje a afectar o dia de milhares de franceses forçados a ir trabalhar a pé, de bicicleta ou carro, sendo esperada também perturbações nas ligações de comboio a outros países.
A greve, iniciada quarta-feira à noite e que deverá prolongar-se até ao final do dia de hoje, contesta a reforma dos regimes especiais de reforma, que prevê a equiparação das pensões dos trabalhadores dos transportes às da função pública.

    A rede ferroviária francesa ficará “quase paralisada”, adiantou uma fonte da Autoridade de Transportes de Paris (RATP), e as ligações de comboio a outros países deverão sofrer também perturbações.

    Fonte da empresa de caminhos-de-ferro portuguesa (CP) disse à Lusa que o comboio Sud-Express, que partiu às 16:00 de terça-feira de Lisboa, chegou à estação fronteiriça de Hendaya (França), desconhecendo se os passageiros seguiram viagem.

    Os passageiros do comboio Sud-Express fazem transbordo, em Hendaya, para o comboio de alta velocidade (TGV), que segue até Paris.

    A mesma fonte garantiu que os passageiros foram avisados à partida, em Lisboa, para os eventuais efeitos da greve em França.

    Os números de adesão à paralisação só serão conhecidos dentro de algumas horas, mas hoje de manhã, à hora de ponta, numerosos ciclistas entraram em Paris, enquanto nos subúrbios várias pessoas optaram por não ir trabalhar, receando não conseguir regressar a casa ao fim do dia.

    Além das várias linhas de comboio em Paris estarem fechadas, a autoridade de transportes (RATP) estimou que o tráfego na maioria das linhas de metro será “virtualmente nulo”.

    Hoje de manhã o trânsito entupiu as principais entradas de Paris, contudo as auto-estradas em torno da capital francesa estavam praticamente vazias.

    O serviço de informações de trânsito dava conta às 8:00 (7:00 em Lisboa) de 76 quilómetros de filas contra os 157 quilómetros que se verificam numa quinta-feira normal.

    Os líderes sindicais esperam que a greve atinja as proporções das paralisações realizadas em 1995, também contra alterações nos direitos de reforma, que pararam o país durante quase três semanas.

    Três federações de ferroviários estão a promover a realização de uma votação para decidir se as greves continuam ou não na sexta-feira.

    Mas mesmo que os protestos terminem hoje, as perturbações na circulação deverão continuar a fazer-se sentir sexta-feira, acreditam as autoridades de transportes.

    Os planos de reformas que estão agora sob ameaça foram estruturados para conferir vantagens às pessoas com trabalhos fisicamente mais exigentes, como os mineiros ou os maquinistas de comboios.

    Este regime especial de pensões previa que os trabalhadores se pudessem aposentar mais cedo e com mais vantagens do que a generalidade dos trabalhadores franceses.

    O presidente Sarkozy - que hoje participa em Lisboa na cimeira informal da União Europeia - já reagiu à greve, adiantando que as reformas são para avançar, independentemente dos protestos.
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