Membro das Pussy Riot inicia greve de fome após alegadas ameaças de morte


 

Lusa/AO online   Internacional   23 de Set de 2013, 15:43

Nadejda Tolokonnikova, uma das integrantes do grupo feminista 'punk' russo Pussy Riot detida desde agosto de 2012, iniciou esta segunda-feira uma greve de fome para denunciar alegadas ameaças de morte e as condições desumanas que enfrenta na prisão.

Numa carta divulgada pelo advogado, a jovem de 23 anos relatou as condições de vida em vigor no campo de detenção para mulheres número 14 na região da Mordóvia, a cerca de 600 quilómetros a este de Moscovo, onde está a cumprir uma pena de prisão de dois anos.

De acordo com o testemunho de Nadejda Tolokonnikova, as detidas são sistematicamente humilhadas e reduzidas ao estado de “escravas”, forçadas a trabalhar 16 ou 17 horas por dia e privadas de sono. A jovem indicou ainda que as condições de higiene das detidas são precárias.

Em outro documento, dirigido à justiça russa, ao diretor dos serviços penitenciários russos e ao delegado dos Direitos Humanos Vladimir Loukine, a jovem acusou o diretor-adjunto do campo de detenção, Iouri Kouprionov, de a ter ameaçado de morte no passado dia 30 de agosto.

Nadejda Tolokonnikova referiu que as ameaças começaram após as suas denúncias sobre as condições de trabalho e do quotidiano das prisioneiras no campo de detenção.

“Hoje, dia 23 de setembro, declaro que estou em greve de fome. É um método extremo, mas estou convencida de que este é o único caminho para mim nesta situação”, escreveu a jovem na missiva hoje divulgada.

“Exijo que nos tratem como seres humanos e não como escravas”, reforçou a antiga estudante de Filosofia e mãe de uma criança de cinco anos.

Na mesma carta, Nadejda Tolokonnikova descreveu uma “destruição do indivíduo” e a promoção da rivalidade entre as detidas, relatando ainda que uma prisioneira sofreu a amputação de uma perna e de vários dedos de uma mão depois de ter sido obrigada a ficar várias horas no exterior e enfrentar baixas temperaturas.

Nadejda Tolokonnikova é uma das duas integrantes do grupo punk feminista russo Pussy Riot que foram condenadas em agosto de 2012 a dois anos de prisão por um tribunal de Moscovo por "vandalismo" e "incitamento ao ódio religioso. Um terceiro elemento da banda ficou com pena suspensa depois de apresentar recurso.

As jovens entraram encapuzadas em fevereiro de 2012 na catedral do Cristo Redentor (ortodoxa) em Moscovo e cantaram uma canção de protesto na qual pediam à Virgem para “perseguir” o Presidente russo, Vladimir Putin.

Em meados de maio passado, outra integrante do grupo 'punk', Maria Aliokhina, iniciou uma greve de fome em sinal de protesto contra o facto de o tribunal não ter garantido a sua presença física no processo de pedido de liberdade condicional antecipada.

Depois de nove dias de greve e após ter sido hospitalizada por um curto período, Alyokhina decidiu cessar o protesto.


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