Ambiente

Mar mais quente traz novas espécies aos Açores


 

João Cordeiro   Regional   11 de Nov de 2008, 10:03

Com temperaturas mais elevadas do que o habitual, o mar dos Açores foi “visitado”, em 2008, por espécies que normalmente não passariam pela Região com tanta abundância
O aumento de três graus na temperatura média da água do mar em relação aos valores dos últimos anos fez com que fossem avistadas nos Açores, em 2008, espécies pouco habituais na Região e que normalmente se encontram em águas mais quentes.
Referindo que “este foi um ano muito rico em avistamentos de grandes espécies pelágicas, [que evoluem perto da superfície] nos Açores”, o fotógrafo de natureza, Nuno Sá, explica que “para além das espécies existentes regularmente nos Açores continuarem a aparecer surgiram também algumas outras de águas mais quentes”, como é o caso do tubarão tigre, avistado em Santa Maria, ou do tubarão baleia, o maior peixe do mundo, que registou um aumento exponencial de avistamentos ao longo deste ano.
Apesar de haver registo de avistamentos esporádicos de tubarões baleia praticamente todos os anos - cerca de meia dúzia - no mar dos Açores, testemunhados por pescadores de atum e bonito - espécies que normalmente acompanham o tubarão baleia -, no Verão passado os pescadores registaram cerca de duzentos exemplares desta espécie, entre São Miguel e Santa Maria.
Os motivos que causaram o aumento da temperatura média da água do mar na Região são incertos e só os dados dos próximos anos poderão desvendar se se tratou de uma situação esporádica ou de uma subida que vai manter-se. Também não é possível saber, para já, se no próximo ano o avistamento de tubarões baleia nos Açores vai ser tão elevado como este ano.
Devido à temperatura da água e aos nutrientes que possui, a Austrália é um dos poucos locais onde as mesmas comunidades de tubarões baleia são avistadas ano após ano. “Se os Açores se vão tornar ou não num destes locais, através de alterações climatéricas, correntes marítimas, ou afluência de nutrientes, ainda é um bocado cedo para se saber”, explica Nuno Sá.
O fotógrafo pode a qualquer momento receber “notícias” sobre a localização do tubarão baleia que fotografou, uma vez que as imagens captadas foram enviadas para o programa ECOCEAN, dirigido a partir da Austrália, que cria um histórico para cada exemplar da espécie que é fotografado.
O tubarão baleia que Nuno Sá fotografou nunca tinha sido registado anteriormente, e o fotógrafo será informado sempre que este exemplar seja avistado no futuro, podendo assim acompanhar o histórico das suas migrações.
Depois de várias tentativas frustradas para conseguir fotografar tubarões baleia em São Miguel, Nuno Sá rumou até Santa Maria, onde, ao segundo dia, conseguiu finalmente atingir o seu objectivo: nadar com o maior peixe do mundo, que pode atingir vinte metros de comprimento.
“Foi fantástico. O facto de os tubarões baleia virem acompanhados de atuns e bonitos cria um cenário fantástico, com um frenesim imenso à volta do grande peixe”, disse Nuno Sá, acrescentando que “este é um animal muito pacífico, curioso, que nada lentamente à superfície e que tem comportamentos giríssimos.
Este ano, os avistamentos de tubarões baleia começaram em Julho e terminaram apenas este mês.


National geographic portugal

Tubararões baleia nos Açores

A capa de Novembro da edição portuguesa da célebre revista National Geographic dá destaque ao artigo de Nuno Sá, fotógrafo de natureza, que relata a sua experiência com tubarões baleia no mar dos Açores. Depois de saber que os pescadores de atum, em São Miguel, estavam a avistar diariamente centenas de tubarões baleia (aos quais chamavam “pintados” devido às malhas claras que preenchem o dorso do peixe), Nuno Sá passou o mês de Agosto a tentar concretizar “o sonho de se encontrar com este gigante dos mares”, sem que conseguisse resultados positivos. Quando soube que a espécie estava a ser avistada diariamente na ilha vizinha, o fotógrafo deslocou-se a SantaMaria “disposto a ficar até conseguir imagens de um tubarão baleia”. Bastaram dois dias para atingir o objectivo.
Nuno Sá, que viu uma das suas fotografias ser distinguida recentemente no “BBC wildlife photographer of the year”, tornando-se o primeiro português a conseguir ser seleccionado pelo júri deste conceituado concurso, vai lançar, no fim deste mês, o seu novo livro “Açores - Whale Watching”.

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