Mais de 60 organizações de vários países apelam a boicote à Eurovisão em Israel

Mais de 60 organizações, a maioria de defesa dos direitos LGBTQIA, de vários países, Portugal incluído, apelaram aos membros daquela comunidade para que boicotem este ano o Festival Eurovisão da Canção, caso este se realize mesmo em Israel.



“Juntamo-nos aos crescentes apelos de todo o mundo e pedimos aos membros da comunidade LGBTQIA [Lésbica, Gay, Bisexual, Transgénero, Queer, Intersexo, Assexual] que boicotem o Festival Eurovisão da Canção 2019, desde que Israel seja o anfitrião”, lê-se na carta, divulgada e subscrita por organizações de países como Alemanha, França, Estados Unidos, Bélgica, Honduras e Portugal.

Este ano, o Festival Eurovisão da Canção decorre em Telavive, Israel, depois de no ano passado o país se ter sagrado vencedor do concurso, que decorreu em maio em Lisboa, com a música “Toy”, interpretada por Netta Barziliali. As semifinais do concurso estão marcadas para 14 e 16 de maio e a cerimónia da final para o dia 18 do mesmo mês.

Em junho do ano passado, diversas organizações culturais palestinianas apelaram ao boicote ao concurso, sublinhando que "o regime israelita de ocupação militar, colonialismo e apartheid está descaradamente a usar a Eurovisão como parte da sua estratégia oficial ‘Brand Israel’, que tenta mostrar ‘a face mais bonita de Israel’ para branquear e desviar a atenção dos seus crimes de guerra contra os palestinianos”.

Em setembro, mais de uma centena de artistas de todo o mundo, incluindo de Portugal, manifestaram apoio a esse apelo.

Surge agora o apelo das mais de 60 organizações, de quase 20 países.

Além de apelarem aos elementos da comunidade LGBTQIA que boicotem o concurso, as associações instam a que “movimentos de base, empresas LGBTQIA, artistas e ONG [Organizações Não Governamentais] dos países participantes protestem contra a realização da Eurovisão em Israel e realizem ações pacíficas de boicote”.

Entre os subscritores da carta estão as associações portuguesas estão a Academia Cidadã, a Não te prives – Grupo de defesa dos direitos sexuais, a Panteras Rosa – Frente de Combate à LesBiGayTransfobia, a PATH – Plataforma Anti Transfobia e Homofobia de Coimbra e a Umar Coimbra.

“Tal como na luta contra o Apartheid na África do Sul, só através de uma efetiva e sustentada pressão internacional Israel será compelido a cumprir as suas obrigações perante o direito internacional e a respeitar os Direitos Humanos dos palestinianos”, defendem as organizações.

Em novembro, vários artistas portugueses apelaram, numa carta aberta dirigida à RTP, responsável pela escolha do representante nacional, ao boicote de Portugal ao Festival Eurovisão da Canção.

A BBC divulgou ter recebido uma carta aberta na qual várias personalidades, incluindo a designer de moda Vivienne Westwood, o músico Peter Gabriel, o realizador Mike Leigh e a banda Wolf Alice, instam a estação, responsável pela escolha do representante do Reino Unido, a pedir à organização que altere a localização da edição de 2019 do concurso.


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Greve geral

O Governo Regional dos Açores esclareceu que “não fixou quaisquer serviços mínimos” no dia da greve geral, ao contrário do que foi referido pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS)