Maior "shopping" da Península Ibérica livre de fumo sem receio de perder clientes


 

Lusa/Ao online   Nacional   5 de Dez de 2007, 10:18

A partir de Janeiro, o fumo fica à porta do Centro Colombo, Lisboa, onde se acredita que esta medida imposta pela lei não implicará perda de visitantes e se aposta na informação e na pedagogia para dissuadir fumadores.
"Os aviões também não deixaram de voar quando foi proibido fumar. Ninguém vai deixar de vir ao Colombo", afirmou em entrevista à agência Lusa António Bettencourt, director-geral do maior centro comercial da Península Ibérica, adiantando que, para si, "é um dado adquirido" que a inibição de fumar não irá afastar clientes.

    Dentro de duas semanas, as cerca de 80 mil pessoas que em média visitam diariamente o Colombo começarão a ser informadas das restrições decorrentes da nova Lei do Tabaco através de avisos nas entradas do edifício.

    Também em breve os vigilantes que trabalham no centro terão "formação completa e específica" nesta matéria, disse António Bettencourt, salientando que será dada "especial atenção" à forma de abordar os eventuais "prevaricadores".

    "Tem de haver uma atitude de muito bom senso e paciência com alguns dos 'prevaricadores'. Não queremos ser agressivos com ninguém e teremos muito cuidado com a aproximação aos incumpridores", declarou, ressalvando, contudo, que em "casos limite" recorrerão às autoridades.

    Ainda assim, o responsável máximo do Colombo acredita que não vão surgir "pontos de conflito" e que apenas pontualmente haverá clientes mais relutantes em aderir a estas regras.

    A partir do primeiro dia do ano, haverá dísticos espalhados pelo centro com a indicação de que é proibido fumar e os actuais cinzeiros serão aproveitados para dar aos fumadores uma derradeira oportunidade de apagarem os cigarros.

    Os restaurantes fechados e com mais de 100 metros quadrados poderão ser a única excepção à proibição total de fumar no edifício até ao terceiro trimestre de 2008, uma vez que a criação de áreas para fumadores está ainda a ser analisada à luz da remodelação global do centro.

    Uma das áreas onde deverão ser criadas zonas de fumadores é no actual espaço de restauração aberto, denominado Cidade Perdida, onde numa primeira fase vigorará a proibição total de fumar.

    Segundo o responsável do Colombo, a delimitação de mais áreas para fumadores será ponderada à medida das necessidades que a aplicação da lei for revelando.

    De acordo com a lei do tabaco, que entra em vigor a 01 de Janeiro, é proibido fumar "nos conjuntos e grandes superfícies comerciais e nos estabelecimentos comerciais de venda ao público", excepto nas áreas ao ar livre e em zonas expressamente previstas para o efeito.

    Estas áreas têm de obedecer aos seguintes requisitos: estar devidamente sinalizadas, separadas fisicamente das restantes instalações, ou dispor de dispositivo de ventilação que evite que o fumo se espalhe às áreas contíguas, e desde que seja garantida a ventilação directa para o exterior através de um sistema de extracção de ar.

    A direcção do Centro Colombo tem vindo a promover encontros com os responsáveis das mais de 400 lojas no sentido de explicar as alterações que vigorarão a partir do início do ano e, no caso dos restaurantes, António Bettencourt acredita que a maioria dos que têm mais de 100 metros quadrados optará por criar zonas de fumadores.

    No entanto, na cervejaria Lusitânia, onde actualmente há zonas distintas para fumadores e não fumadores, o espaço será totalmente livre de fumo com a entrada em vigor da nova lei.

    "A lei obriga a uma extracção de fumos muito forte e a uma zona muito bem delimitada para os fumadores. Como é complexo fazê-lo, o restaurante passará a ser todo para não fumadores", justificou à Lusa Rui Silva, responsável pelo espaço.

    Apesar da indignação demonstrada por alguns clientes que já estão a ser previamente avisados da alteração, Rui Silva acredita que, como em todo o centro é proibido fumar, ninguém terá problemas em optar por um restaurante onde o fumo é interdito.

    Reacções mais adversas têm surgido, segundo Rui Silva, dos empregados da casa que serão obrigados a fumar à entrada e saída do trabalho, já que a distância a que estão da rua e a natureza do serviço dificultam os intervalos para fumar.

    Com o mesmo problema deverão deparar-se os funcionários da Zara que têm 15 minutos de intervalo para fumar e comer.

    "Se vão lá fora fumar perdem o tempo do intervalo. Ou comem ou fumam", comentou à Lusa Isabel Vilelas, gerente da loja 102A da Zara, ressalvando que a maioria dos seus cerca de 70 colegas não fuma.

    Entre os clientes fumadores do centro, as opiniões dividem-se: há quem nada se incomode com as novas regras e quem equacione transferir as suas visitas para centros comerciais ao ar livre ou para a Baixa lisboeta.

    "Não sei se deixarei de vir, mas certamente as minhas visitas serão mais curtas. Ou então, posso optar por procurar centros ao ar livre ou ir para a Baixa", disse à Lusa Ana Muchacho, uma fumadora que já tentou várias vezes sem sucesso deixar o vício.

    Um dos 10 maiores centros comerciais da Europa, o Colombo tem uma área de quase 120 mil metros quadrados, distribuídos por três pisos.

    Emprega cinco mil pessoas e recebe anualmente 28 milhões de visitantes.

    Numa década, registou um volume de vendas de 4,2 mil milhões de euros, verba superior ao custo estimado para a construção do novo aeroporto internacional de Lisboa na Ota.

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