Lula defende biocombustíveis


 

Lusa/AOonline   Internacional   21 de Nov de 2008, 14:01

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, condenou hoje as “teses falaciosas” que responsabilizam os biocombustíveis pela recente subida mundial dos preços alimentos.
 O presidente salientou, no encerramento de uma conferência internacional organizada pelo Governo brasileiro, que a “deturpação e o preconceito” sobre os biocombustíveis são resultado da “desinformação” e de “interesses de poderosos lobbies”.

    A subida dos preços dos alimentos, segundo o presidente, foi resultado da especulação com as ‘commodities’ agrícolas, nos mercados internacionais, e da diminuição dos estoques reguladores de grãos.

    Lula da Silva realçou que os estoques internacionais de trigo, por exemplo, diminuíram de 207 milhões de toneladas para 136 milhões de toneladas, nos últimos oito anos.

    Os estoques de arroz passaram de 143 milhões para 81 milhões de toneladas, enquanto os de milhos diminuíram de 193 milhões para 112 milhões de toneladas, entre 2000 e 2008.

    “Veja que o estoque regulador é pequeno se comparado à produção, o que significa que passamos alguns anos a consumir nossas reservas alimentares”, disse.

    O presidente disse que o objectivo da “Conferência Internacional sobre Bicombustíveis”, que reuniu representantes de 90 países essa semana em São Paulo, foi dar a conhecer ao mundo a experiência brasileira.

    “Enquanto os críticos não oferecem respostas alternativas [à crise energética mundial] convidamos todos a conhecer os 30 anos de resultados concretos”, disse o presidente.

    “Propomos que essa experiência seja vista como uma promissora alternativa para mais de 100 países, principalmente agora com a escassez de crédito”, disse, referindo-se à crise financeira internacional.

    Lula da Silva reconheceu que os biocombustíveis estão “longe de ser uma panacéia” para resolução de todos os problemas, mas representam a construção de “uma nova economia” a partir de uma fonte de “energia barata”.

    “São instrumentos de transformação da vida das pessoas, que criam renda no campo e na cidade, capazes de reduzir a pobreza”, salientou.

    Lula da Silva realçou ainda que as recentes descobertas de reservas gigantescas de petróleo “não vão diminuir um milímetro sequer a convicção do Brasil sobre a importância dos biocombustíveis”.

    O ministro das Minas e Energia do Brasil, Edson Lobão, presente ao encontro, também foi enfático ao afirmar que os biocombustíveis não têm “qualquer responsabilidade” sobre a subida dos preços dos alimentos.

    “Os preços subiram por culpa dos fertilizantes que aumentaram mais de 100 por cento, no Brasil, porque são importados e caríssimos”, disse.

    “Os preços subiram por culpa do aumento do petróleo, já que o transporte dos alimentos utiliza combustíveis fósseis. Os biocombustíveis não tiveram nenhuma contribuição”, realçou.

    Na conferência internacional, o Governo brasileiro recebeu uma lista de reivindicações de entidades sociais, ambientais e de direitos humanos para mudança do actual modelo de produção do etanol.

    O documento, elaborado por diversas entidades, reunidas num evento paralelo à conferência, denuncia as condições de trabalho nas lavouras de cana-de-açúcar destinadas à produção de etanol.

    Durante a conferência internacional, a The Nature Conservancy (TNC), uma das mais antigas ONGs ambientais do mundo, divulgou um estudo com sugestões para minimizar o impacto da produção de biocombustíveis.

    O estudo mostra que, até 2014, serão necessários entre 12 e 54 milhões de hectares de terra para suprir a demanda por biocombustível em todo o mundo.

    A melhor forma de aumentar a produção e não desflorestar áreas nativas é direccionar a expansão agrícola para áreas já abertas para pastagens.

    Com isso, será preciso estimular a pecuária intensiva, a criação de gado confinado numa pequena área, o que possibilita o melhor aproveitamento de áreas já desflorestadas, concluiu a TNC.

    Actualmente, as plantações de cana-de-açúcar ocupam cerca de 7,5 milhões de hectares, o equivalente a um por cento da área plantada do Brasil.

    Com uma frota de sete milhões de veículos “flexfuel” (utilizam gasolina e ou etanol), cerca de um terço do total, a produção de etanol representa metade do consumo total de combustíveis.

    O etanol está disponível aos consumidores brasileiros em todos os 35.000 postos de combustível espalhados pelas diversas regiões do país.

    Os investimentos no sector deverão duplicar a produção anual de etanol, nos próximos anos, para cerca de 38 mil milhões de litros.

    Já a produção da matéria-prima para do biodiesel, que é misturado ao diesel no percentual de três por cento, gera emprego e renda para 100.000 famílias brasileiras.

    Os biocombustíveis deverão representar cerca de 60 por cento da matriz energética brasileira do sector de transportes até 2010, o que evitará a emissão de 508 milhões de toneladas de CO2, responsável pelo efeito estufa, no período de 10 anos.

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