Londres vai propor reforço de sanções ao Zimbabué


 

Lusa / AO online   Internacional   21 de Set de 2007, 21:37

O Reino Unido vai propor formalmente, já em Outubro, aos parceiros da União Europeia o alargamento das sanções ao Zimbabué, disse hoje à Lusa, em Londres, um porta-voz do primeiro-ministro Gordon Brown.

"O assunto será levantado na próxima reunião (formal) de ministros dos Negócios Estrangeiros" dos 27, que se realiza a 15 de Outubro, no Luxemburgo, sob presidência portuguesa, disse precisou um porta-voz do primeiro-ministro britânico.

"Há peritos em Bruxelas a trabalhar com outros colegas europeus para estudar os detalhes para alargar as sanções" contra o regime do presidente zimbabueano, Robert Mugabe, acusado de totalitarismo e de violações dos direitos humanos, acrescentou à Lusa.

Brown anunciou quinta-feira, numa entrevista à televisão ITN, a intenção de Londres "alargar as sanções às famílias" de líderes ligados ao Zanu-PF, o partido no poder.

Actualmente, cerca de 130 pessoas são afectadas por estas sanções, impostas em conjunto pela União Europeia, devido ao desrespeito pelos direitos humanos, e que impedem o presidente zimbabueano, Robert Mugabe, de viajar até território europeu.

Além da proibição de vistos, a UE determinou, desde Fevereiro de 2002, o congelamento de activos e o embargo ao fornecimento de armas, nomeando sobretudo responsáveis governamentais e altos funcionários do país.

"As sanções são um sinal da repugnância das pessoas na Europa com o que está a acontecer no Zimbabué e a interdição de viajar e outras sanções comerciais são parte disso", vincou na quinta-feira o primeiro-ministro britânico.

Brown poderá também evocar o tema na cimeira informal de chefes de Estado e de Governo da UE, a 18 e 19 de Outubro, em Lisboa, a qual terá como assunto central a aprovação do futuro Tratado Reformador dos 27, que substituirá a fracassada Constituição Europeia.

"Poderemos tentar levantar a questão lá, mas o mais provável é que a levantemos antes, na reunião de ministros de Negócios Estrangeiros" dos 27 do Luxemburgo, salientou o porta-voz britânico.

Gordon Brown invocou quinta-feira o facto de Mugabe estar impedido pelo regime de sanções de viajar até à Europa para ameaçar boicotar a cimeira UE/África, em Lisboa, se o presidente do Zimbabué estiver presente.

A realização da segunda Cimeira Europa/África, a 08 e 09 de Dezembro, em Lisboa, é uma das principais prioridades da actual presidência portuguesa da UE, que se iniciou em Julho e termina no final do ano.

Mas Downing Street admite que "as circunstâncias seriam diferentes", se outro elemento de menor relevo do regime de Harare representasse o Zimbabué na Cimeira UE/África, deixando entender que esta solução poderia desbloquear o impasse.

"Estamos disponíveis para analisar alternativas, mas terão de ser discutidas com os nossos parceiros europeus", afirmou o porta-voz à Lusa.

Quanto à hipótese de Mugabe aceitar um eventual convite para participar na cimeira, a mesma fonte não confirmou se o Reino Unido estaria representado por outro membro do Governo.

"Teremos de ver mais próximo da data se haverá alguma representação [britânica na cimeira]", declarou.

Além do agravamento das sanções na UE, o Reino Unido pretende pedir, na próxima semana, ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para enviar observadores, solicitação que será também feita à União Europeia.

A necessidade de agir perante a situação "chocante e trágica" no Zimbabué - antiga colónia britânica -, que se debate com problemas económicos e falta de alimentação, foi levantada pelo primeiro-ministro britânico num artigo publicado na quinta-feira.

Brown pretende que a comunidade internacional aumente a pressão sobre o regime de Harare, denunciando a falta de democracia, de liberdade de expressão, a existência de tortura e intimidação da oposição política interna.

Em contrapartida, mostrou-se aberto a aumentar a ajuda humanitária em oito milhões de libras [11,5 milhões de euros] ainda este ano e a contribuir para a reconstrução do país "no dia em que a democracia voltar ao Zimbabué".

A posição de Brown surge após a divulgação nos media britânicos de uma série de reportagens realizadas no Zimbabué, nomeadamente pela BBC e ITN, onde são visíveis as dificuldades da população zimbabueana.

Também no início da semana, o arcebispo de York, John Sentamu, apelou a Gordon Brown para liderar a comunidade internacional a pressionar o regime de Mugabe e agravar o regime de sanções ao país.

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.