Açoriano Oriental
Covid-19
Linha “Crianças em perigo” recebeu mais de 2.700 comunicações de perigo num ano

A presidente da Comissão Nacional de Proteção de Crianças e Jovens alertou que a pandemia de Covid-19 agravou a situação dos mais novos, adiantando terem sido recebidas num ano 2.702 comunicações de situações “graves ou muito graves”.

Linha “Crianças em perigo” recebeu mais de 2.700 comunicações de perigo num ano

Autor: Lusa/AO Online

Em declarações à rádio TSF, Rosário Farmhouse adiantou que num ano, a linha telefónica "Crianças em perigo" recebeu 1.006 denúncias (de 19 de maio de 2020 até à última sexta-feira), às quais se somam 1.696 queixas registadas num formulário preenchido ‘online’.

No total, 2.702 comunicações foram encaminhadas para as comissões de proteção locais, que configuram "situações graves ou muito graves".

Rosário Farmhouse adiantou que “todas as comunicações que chegaram tinham fundamento", tendo sido abertos processos.

“Desde o início da linha até hoje recebemos mais de 1.000 chamadas. São em concreto 1.006 chamadas que recebemos. Significa que é uma linha que não existindo antes fazia muito falta. Também desenvolvemos uma nova ferramenta que desenvolvemos em tempos de pandemia (…) que é o formulário ‘online’ através do nosso ‘site’ e nesse recebemos 1.696 comunicações de perigo através do formulário online”, disse.

De acordo com Rosário Farmhouse, a maioria das queixas foram feitas por adultos.

“Têm aparecido mais através de familiares e vizinhos tanto a linha ou o formulário. Tem sido usado de forma anónima, por pessoas que são próximas e que têm medo de represálias. As crianças, algumas contactam a linha, mas maioritariamente são adultos. Temos alguns emails de jovens a fazer perguntas, mas a maioria são os adultos”, disse.

No que diz respeito às principais queixas, Rosário Farmhouse elencou a violência física, psicológica e emocional, negligência e abandono.

“Estamos a falar muito na área da violência física e psicológica e emocional, de negligência e abandono. As crianças estão sozinhas o dia inteiro, ninguém lhes está a prestar qualquer atenção. As crianças são muito pequenas. Todos os dias se ouvem gritos e humilhações, barulho que parece ser violência física", contou.

A presidente da Comissão salientou que o confinamento causado pela "pandemia trouxe consequências grandes" para os mais novos.

Com "tantas horas fechados em casa, a violência aumentou. As famílias que já eram frágeis viram a situação agravar-se”, disse.

Segundo Rosário Farmhouse, além da violência, negligência e abandono, os mais novos sofreram também com o desemprego dos pais, ansiedade e vulnerabilidade, sublinhando que os números “são muito elevados”.

A presidente da Comissão disse que as crianças foram “muitíssimo afetadas” pela pandemia de covid-19, destacando que os abusos e a violência não vão acabar com o desconfinamento.

"São efeitos que vão permanecer no tempo e aos quais temos de estar todos muito atentos", salientou.

O número da linha Crianças em perigo” é o 961 231 111 e o formulário está disponível no ‘site’ da Comissão Nacional de Proteção de Crianças e Jovens em Risco.


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