Líder do PS/Açores alerta para eventual resgate financeiro do Estado à região

O líder do PS/Açores, Francisco César, alertou para uma eventual necessidade de resgate financeiro do Estado português à região autónoma, admitindo ainda “probabilidade um bocadinho maior” de o arquipélago se tornar apetecível para a administração norte-americana



Em entrevista ao jornal Público e à Renascença, o deputado da Assembleia da República e membro do secretariado nacional do PS sublinhou que “os Açores têm um problema de despesa que tem de ser resolvido muito rapidamente”.

“Há uma probabilidade de que, se nada for feito, seja necessária uma intervenção ou um financiamento permanente por parte do Estado português”, disse, classificando esta hipótese como “muito elevada”.

O dirigente socialista exemplificou, entre outros casos, com “empresas públicas que têm dificuldade em pagar salários porque o Governo não cumpre os contratos-programa e até empresas de transporte escolar que simplesmente deixaram de prestar o serviço”.

Questionado sobre se os Açores poderem vir a ser “uma nova Gronelândia” – território autónomo dinamarquês alvo de cobiça pelo presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump -, César admitiu um cenário semelhante.

“Vivemos num Mundo tão estranho que até as coisas mais estranhas passam a ter uma probabilidade. Julgo que nunca ninguém falou disso sobre os Açores, mas efetivamente essa probabilidade, que era ínfima, passou a ser um bocadinho maior”, afirmou.

O filho do antigo presidente do Governo Regional açoriano (1996-2012) Carlos César, atual presidente socialista e membro do Conselho de Estado, criticou também a atuação do Governo liderado pelo social-democrata Luís Montenegro quanto à utilização da base das Lajes, na ilha Terceira, pela força aérea norte-americana no conflito contra o Irão.

“Se o PS estivesse lá seria um pouco diferente: a autorização condicionada teria sido feita de uma forma imediata e a crítica à administração norte-americana teria sido feita. Somos velhos aliados, mas os aliados podem não concordar. Portugal poderia ter tido outro comportamento sem que isso afetasse as relações com os EUA”, disse.

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