Governo nega conhecer necessidade de resgate financeiro aos Açores

O ministro da Presidência negou categoricamente ter qualquer informação sobre a necessidade de resgate financeiro à Região Autónoma dos Açores, embora reconheça que o Governo regional enfrenta desafios, que atribuiu “a décadas de um certo estilo de gestão”



“Nego categoricamente qualquer informação nessa base. Eu remeto isso para a política partidária regional. Nós não temos nenhuma informação desse tipo relativamente à necessidade de resgate financeiro e de contas periclitantes”, disse António Leitão Amaro, no período de respostas a jornalistas durante a conferência de imprensa que se seguiu ao Conselho de Ministros.

Em entrevista ao jornal Público e à Renascença, o líder do PS/Açores, Francisco César, partido que governou o arquipélago nas últimas décadas e que agora está na oposição, alertou para uma probabilidade “muito elevada” de necessidade de resgate financeiro do Estado português, se não for resolvido “muito rapidamente” um “problema de despesa” na Região Autónoma.

Pelo seu lado, Leitão Amaro afirmou que o Governo da República, do PSD/CDS-PP, tem “muita confiança na gestão do Governo Regional dos Açores”, da mesma cor política.

“Eu não tenho dúvidas que o Governo Regional dos Açores enfrenta desafios que, em grande medida, se devem a décadas de um certo estilo de gestão, que deixa carências, e deixou carências, seja de desenvolvimento económico, seja de funcionamento de serviços, seja de condições de mobilidade”, considerou Leitão Amaro.

Segundo o ministro, o atual Governo açoriano está a fazer “um grande esforço para equilibrar as exigências de disciplina nas contas públicas com as necessidades de desenvolvimento” daquele território” e poderá contar com o Governo nacional para um trabalho “conjunto no quadro da solidariedade de um país que é um todo”, salientando que “a separação territorial impõe sobre os Açores custos adicionais”.

“Nós trabalharemos com eles, mas com confiança, e eu, sinceramente, remeti essas afirmações alarmistas para o quadro da disputa política ou partidária regional”, acrescentou.

Na entrevista divulgada, Francisco César, deputado da Assembleia da República e membro do secretariado nacional do PS, filho do antigo presidente do Governo Regional açoriano (1996-2012) Carlos César, exemplificou com os casos de “empresas públicas que têm dificuldade em pagar salários porque o Governo não cumpre os contratos-programa e até empresas de transporte escolar que simplesmente deixaram de prestar o serviço”.

César criticou também a atuação do Governo nacional, liderado pelo social-democrata Luís Montenegro, quanto à utilização da Base das Lajes, na ilha Terceira, pela força aérea norte-americana no conflito contra o Irão, admitindo uma “probabilidade um bocadinho maior” de o arquipélago se tornar apetecível para a administração norte-americana.


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Mau tempo

Na sequência da passagem da depressão Therese pelo arquipélago, e em atualização ao número de ocorrências, foram registadas, durante o dia de hoje e até ao momento, um total de 57 ocorrências, adianta o Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA)